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MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Estado reduz 1 hora de aula em 118 escolas e pais fazem críticas

Medida visa a padronizar currículo com outras unidades em São Paulo, mas secretaria admite ter cometido erro de comunicação

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Isabela Palhares,
O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) reduziu em uma hora as aulas em 118 escolas estaduais que têm período integral. Muitos pais foram surpreendidos no primeiro dia de aula ao descobrirem que os filhos ficariam apenas oito horas na escola - e não mais nove horas, como nos anos anteriores. 

Como de costume, a empregada doméstica Elenice Rocha, de 57 anos, preparou-se para deixar a filha de 8 anos às 7 horas na Escola Ceciliano José Ennes, no Itaim-Bibi, e depois seguir para o trabalho. Mas, na segunda, os portões só abriram às 7h30. “Os pais ficaram esperando do lado de fora, sem nenhum aviso ou informação. Só depois que estávamos todos lá fomos informados que o horário havia sido alterado para 7h30 às 15h30, e não mais até as 16 horas, como estávamos acostumados.”

Ela e outros pais da escola estão preocupados com a mudança repentina por ter de alterar os horários de seus expedientes para buscar e levar os filhos. A faxineira Eliana Aparecida da Silva, mãe de um aluno de 10 anos, combinou com uma colega, que tem o filho na mesma sala, para alternar os dias em que vão buscar os estudantes. “Eu chego às 15h30 em um dia e espero com as crianças na rua até ela chegar às 16 horas. No dia seguinte, ela faz isso. Assim, reduzimos os dias em que vamos precisar sair mais cedo do trabalho.” 

A ajudante de cozinha Jeane Pereira Rodrigues, de 27 anos, não conseguiu ninguém para buscar sua filha de 8 anos no novo horário. Agora, ela terá que levar a menina para o trabalho. "O restaurante em que trabalho é aqui perto da escola então eu saía às 16h e dava certo para buscá-la. Agora, ela vai ter que esperar no restaurante comigo por meia hora até eu terminar o expediente". 

Padrão. A coordenadora do Programa Escola de Tempo Integral da Secretaria Estadual da Educação, Vera Goloni, disse que a redução da carga horária estava prevista desde outubro, para que essas 118 unidades passassem a ter o currículo padronizado em relação às demais 414 escolas com período integral, que já tinham carga horária de oito horas diárias. 

De acordo com Vera, as escolas que antes tinham 45 horas de aula por semana faziam parte de um projeto antigo, em que tinham autonomia para escolher as aulas do contraturno. "Com essa autonomia, as escolas escolheram temas muito variados para trabalhar, ficou muito pulverizado e difícil para nós acompanharmos e oferecer a formação para os professores". A partir desse ano, todas as escolas terão que ter 40 horas semanais e terão o mesmo componente curricular, segundo Vera. 

Vera admitiu que houve um “erro de comunicação” já que alguns pais não foram avisados antes das mudanças. “Foi um equívoco, tanto do órgão central (a secretaria estadual), como das diretorias de ensino e escolas, que deveriam tomar providências e informar todos os pais porque as crianças exigem cuidado e zelo.” 

Segundo ela, em quatro escolas da capital em que os pais não souberam da mudança antes das aulas será feito um período de adaptação com o acolhimento das crianças por nove horas, como ocorria anteriormente, para que os pais possam organizar suas rotinas. Vera disse também que essas escolas abrirão consulta para que os pais opinem sobre o melhor horário de aula. No entanto, ela não informou por quanto tempo será o período de adaptação e quando deve ser feita a consulta aos pais. 

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