Especialização em otorrinolaringologia requer mais quatro anos de estudo após a formação médica

O preceptor da especialização em otorrinolaringologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Eduardo Macoto, diz que o objetivo da formação é capacitar o futuro profissional a identificar a grande maioria das doenças otorrinolaringológicas (ligadas à cabeça, pescoço, ouvido, nariz e laringe) e tratar corretamente as mais comuns.

O Estado de S. Paulo,

03 Dezembro 2012 | 11h02

 

Macoto explica que, em razão do avanço do conhecimento, foram criadas sub especialidades na cirúrgica e na área de otoneurologia, que trata de problemas de tontura.

 

“O otorrinolaringologista vai diagnosticar e fazer um tratamento inicial, mas talvez não consiga fazer o tratamento completo, principalmente do ponto de vista cirúrgico.”

 

Segundo ele, para obter formação numa sub especialidade, o aluno estuda mais um ano. “Nos três anos da especialização, os estudantes têm uma visão bem geral de todos os campos de atuação. O quarto ano é para ter um aprimoramento cirúrgico na área desejada.”

 

Macoto afirma que todos os otorrinolaringologistas consegue fazer a maioria das cirurgias. “Os alunos saem capacitados a fazer 90% das cirurgias com os três anos de especialização. Mas existem cirurgias mais complicadas, que exigem um grau de especialização maior. Esse é o foco de atuação das sub especialidades.”

 

Quanto ao mercado de trabalho, o médico considera que a opção mais comum é trabalhar em pronto socorro, porque alguns são especializados em otorrinolaringologia e costumam absorver esses profissionais. Mas eles também podem trabalhar em consultórios ou ambulatórios. “Muitos atuam nos hospitais fazendo cirurgias, mas em geral são operações com data marcada, que não têm urgência.” Além disso, podem abrir consultório próprio. “Nesse caso, o médico pode ter um pouco de dificuldade, se desejar atender pacientes ligados a convênios, porque terá dificuldade para se credenciar. Isso ocorre porque todos os convênios aqui de São Paulo estão bem saturados de todas as especialidades.”

 

Macoto considera o mercado de trabalho bom por ter essa interface entre o atendimento clínico e cirúrgico. Essa característica atrai muitos médicos, já que a otorrinolaringologia consegue fazer essa mescla. “A pessoa que gosta mais de operar consegue passar a maior parte da carreira operando. E quem gosta mais da área clínica, consegue atuar apenas nela.”

 

Otorrinolaringologia

 

Salário médio inicial

R$ 8 mil

 

Duração (especialização)

6 semestres

 

Disciplinas

Otologia, rinologia, laringologia, cirurgia de cabeça e pescoço, otoneurologia, estomatologia e otorrinolaringologia infantil

 

‘Escolhi essa graduação por conciliar áreas clínica e cirúrgica’

Estudante participa de reuniões semanais para discutir a conduta para as próximas cirurgias

 

A aluna do segundo ano de especialização em otorrinolaringologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marília Yuri Maeda, conta que e a grade horária da especialização engloba área ambulatorial e cirúrgica.

 

“A atividade da qual mais gosto é a cirúrgica”, conta. A opção pela área ocorreu, segundo ela, porque queria trabalhar tanto com clínica como com cirurgia. Marília diz que durante a graduação trabalhou um ano e meio com um dos professores da Escola Paulista de Medicina, onde estuda, que é otorrino. “Eu o acompanhava em atendimentos e cirurgias aos sábados e descobri que gostava da área.”

 

No dia a dia do estágio, além do atendimento ambulatorial, faz cirurgias e acompanha operações, fazendo instrumentação para residentes mais velhos. “Todas as sextas-feiras atendo no pronto-socorro do Hospital São Paulo, dependendo do mês o plantão ocorre à noite.”

 

Marília participa de reuniões clínicas semanais, nas quais são discutidos os casos operados na semana anterior e a conduta para as cirurgias da semana seguinte. “Desde quando decidi ser médica, meu sonho é montar um consultório. Depois de formada pretendo me filiar a alguns hospitais e utilizar seus centros cirúrgicos.” No futuro, ela quer fazer outra especialização, talvez em otorrinopediatria.

 

QUEM É

 

Marília Yuri Maeda

Aluna da Unifesp

 

Aos 27 anos, a médica está no segundo ano da especialização em otorrinolaringologia. No estágio, faz consultas no ambulatório e realiza cirurgias. Ela também acompanha operações, fazendo instrumentação cirúrgica. Realiza, ainda, plantão no pronto- socorro do Hospital São Paulo. Ela quer montar seu próprio consultório e fazer subespecialização, possivelmente em otorrinopediatria.

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