Especialistas veem falta de professores e pedem reforma do ensino médio

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, mostra avanço nos anos iniciais, mas ensino médio é alvo de críticas

Paulo Saldaña, Carolina Stanisci e Carlos Lordelo, Estadão.edu

01 Julho 2010 | 17h41

Divulgado nesta tarde pelo Ministério da Educação, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, foi bem recebido por especialistas entrevistados pelo Estadão.edu.

 

Para Mozart Neves Ramos, do  Movimento Educação para Todos, foi um "avanço importante" o índice ter crescido de 4,2 para 4,6 nas séries iniciais do ensino básico. "Parece pouco, mas não é. Se continuar nesse mesmo ritmo de crescimento, a gente consegue o Ideb de 6,0 em 2017", afirmou. O ano em que foi estipulada a meta para chegar ao índice de 6,0 é em 2021.

 

O Ideb é feito a partir do cruzamento de dados do fluxo escolar e de avaliações nacionais, como o Saeb e a Prova Brasil.

 

Para Ramos, o momento é delicado, pois à medida que o País se aproxima de índices de países desenvolvidos, mais difícil fica continuar avançando. Um dos desafios seria melhorar a formação de professores de ensino médio. " Precisamos urgentemente rever questão da valorização do professor no Brasil."

 

Ramos lembra que entre os professores de física, apenas 25% tem formação específica. Para o educador, a qualidade ruim de professores em salas de aula do ensino médio se reflete na desmotivação dos estudantes. "Cerca de 40% dos que desistem, evadem, o fazem por desmotivação. Não é por causa de trabalho, é que eles não são atraídos pelas aulas."

 

A professora da Unicamp e ex-secretária da Educação do Estado de São Paulo Maria Helena Guimarães Castro também ficou otimista em relação ao desempenho nas séries iniciais. Já para o ensino médio, ela recomenda uma "reforma profunda". "É mal desenhado, concebido, tem excesso de disciplinas, currículo pesado."

 

A diretora executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, concorda com Maria Helena e Ramos. "O ensino médio é mais complexo de consertar. No ensino medio, são esperadas habilidades mais complexas. O Brasil conta com professores com pouca qualidade", disse. Mas ressaltou a importância de um índice "confiável e transparente" como o Ideb. "Temos que ficar felizes, acho que é um ponto de reflexão para a sociedade."

 

Para a pedagoga Maria Lúcia Vasconcelos, ex-secretária estadual de Educação de São Paulo, não se pode perder de vista os problemas que permanecem. "Em educação, as ações não têm grandes resultados imediatos", disse. "Todo progresso é mais lento do que gostaríamos que fosse. Estamos no caminho certo, mas ainda temos um longo percurso pela frente."

 

Mais conteúdo sobre:
ideb mec educação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.