Especialistas discutem propostas para uma educação integral

Ações do governo federal:

Portal Porvir,

10 Agosto 2012 | 13h38

O Mais Educação já está em 30 mil escolas e deverá chegar a 60 mil até 2014. O programa foi instituído pelo Governo Federal em 2007, para ampliar tempos, espaços e oportunidades educativas, bem como envolver outros setores e representantes da sociedade na tarefa de educar. A iniciativa toma como base os princípios da educação integral, que pressupõe a aprendizagem conectada à vida e ao universo de interesses e de possibilidades das crianças, adolescentes e jovens.

As unidades escolares participantes recebem recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE-Escola) para oferecer acompanhamento pedagógico complementar em matemática, português e ciências e desenvolver práticas ligadas a: educação ambiental, esporte e lazer, direitos humanos, cultura e artes, cultura digital, promoção da saúde, comunicação e uso de mídias, investigação em ciências da natureza e educação econômica.

Palavras do ministro:

- A jornada escolar é ampliada de 3,5 horas para 7 horas. “A experiência vem mostrando que o futuro da educação está na jornada integral.

- Mais do que aumentar o tempo de permanência na escola, o programa conecta os alunos com novos conteúdos e espaços de aprendizagem. “O Mais Educação avança na jornada integral, mas não se resume a isso. Temos que ampliar o território educacional para complementar a educação dos alunos. Criar um ambiente de educação muito mais holístico e pleno.

- O modelo deve estar acessível para todos os alunos da rede pública. “Essa escola tem que fazer parte da rede. Não é uma escola que tem vestibular para quem entra.”

- As atividades educacionais podem acontecer em espaços diversificados, como teatros, museus, praças, quadras esportivas, entre outros. “Uma escola de esporte, cultura, valores”.

- Os resultados começam a ser analisados. “Estamos avaliando agora na Prova Brasil se a educação nessas escolas melhorou.”

As propostas dos participantes:

“Acredito que, em educação, não podemos falar de uma única medida para resolver tudo. Precisamos de um conjunto de propostas que nos ajudem a criar uma educação para o século 21 . Isso significa, por exemplo, pensar no território. No caso brasileiro,  pensar o território é pensar em como vamos dar conta das desigualdades sociais que se refletem nas desigualdades educacionais. Se pensamos em territórios de alta vulnerabilidade, precisamos pensar políticas que fortaleçam essas escolas e esses alunos que já vêm com recursos culturais precários, de modo que possamos alcançar maior igualdade na educação e maior igualdade de oportunidades educacionais no país.”

Maria Alice Setubal

Cenpec e Fundação Tide Setúbal

“Estamos na fase de garantir a qualidade da educação. Já que conseguimos praticamente universalizar o acesso, precisamos garantir autonomia para que as escolas possam desenhar o seu projeto político-pedagógico, formar suas equipes e ser avaliadas pelos seus conselhos, pela comunidade, pelos pais, pelos alunos, pelos professores e, obviamente, também por avaliadores externos. Para isso, a gente precisa fortalecer o envolvimento dos pais, das famílias e das comunidades com as escolas. Ainda é nova a ideia da família e da comunidade participarem ativamente da escola. Embora isso não seja novo no discurso dos educadores, ainda não foi efetivamente implementada nas redes públicas de ensino do Brasil. E são os usuários que podem, efetivamente, garantir a qualidade da educação.”

Helena Singer

Associação Cidade Escola Aprendiz

“Precisamos reforçar e ampliar o debate de educação integral que o Mais Educação está promovendo. Muito mais importante que ampliação de jornada escolar, o projeto traz uma perspectiva de ampliar o Pacto pela Educação a partir das comunidades, da articulação de novos agentes e espaços educativos. Temos que inovar em algumas coisas no Brasil. A avaliação participativa deve ser considerada como um elemento muito importante para o desenvolvimento das crianças. Outro elemento é a própria gestão das escolas. Precisamos pensar como garantir a autonomia das escolas, para que possam construir seus projetos político-pedagógicos e fazer uma gestão participativa. Por último, precisamos trazer os estudantes de licenciatura para fazer parte dos projetos de educação integral dos municípios. Os professores precisam ter experiência com o chão de escola, e os programas de educação integral concebidos à luz das premissas do Mais Educação permitem que os professores venham para escola com propostas novas, sangue novo. Essa experiência deve formar uma nova geração de professores mais preparados.”

Natacha Costa

Associação Cidade Escola Aprendiz

“Hoje, numa sala do Ministério da Educação, encontram-se 7.000 kits do Escola Sem Homofobia. O material foi bastante desqualificado por uma onda de desinformação na mídia. É importante que o Ministério seja ousado e ponha esse conjunto de kits para ser avaliado pelas universidades, para ser utilizado pelas ONGs em escala piloto, de forma assistida. É importante também que o Ministério reconheça o lugar da questão racial na educação. Hoje, todos os números apontam que quem é mais excluído da escola são os meninos e jovens negros brasileiros. É importante que a questão racial deixe de ser um programa da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) e assuma um lugar mais central na política educacional. Ou seja, enfrentar o racismo de forma corajosa para que possamos avançar com relação à inclusão educacional.”

Denise Carreira

Ação Educativa

“Cerca de um terço dos alunos da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas estão saindo do ensino superior com o projeto de abrir negócios próprios. Isso é uma mudança cultural muito grande. Temos que pensar como o ensino médio pode estimular o empreendedorismo.”

Maria Tereza Fleury

Fundação Getúlio Vargas

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