MAURICIO DE SOUZA/ESTADÃO
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Escolas públicas perdem alunos em 2014 e rede privada cresce

A rede pública respondia por 87% do total de alunos em 2008 e no passado esse porcentual foi de 82%; Matrículas em creche e no ensino integral tiveram avanço

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2015 | 19h29

Enquanto as escolas públicas perdem alunos em todas as etapas da educação básica, a rede privada segue o caminho inverso e registra aumento de matrículas. Além disso, o ensino médio, considerado um dos gargalos educacionais do País, tem queda de alunos.

Os dados, ainda preliminares, são do do Censo da Educação Básica, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação.

Entre 2008 e 2014, as escolas públicas da educação básica tiveram queda de 12% nas matrículas - passando de 46 milhões de alunos para 40,6 milhões. A rede pública respondia por 87% do total de alunos em 2008 e no passado esse porcentual era de 82%. As matrículas na rede privada saltaram 28% no período.

A queda de alunos no ensino fundamental (do 1º ao 9º ano) é uma tendência considerada positiva. É fruto de melhoria no fluxo das redes (aprovação dos alunos), redução da defasagem e também reflete uma transição demográfica. Há no Brasil menos jovens em idade escolar. 

Segundo o economista Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco, é necessário uma análise aprofundada dos dados para entender os movimentos registrados no censo. "Existe uma melhoria de renda em segmentos da população que permite a essas famílias mudarem a escola de seus filhos. Muitas vezes essa escolha é baseada no senso comum de que a rede privada é melhor do que a pública, e isso nem sempre é verdade", diz ele, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e que estuda educação e políticas públicas. "Com relação aos anos finais e ao ensino médio, pode ocorrer uma avaliação de que o ensino público não tem dado o retorno. O que leva a uma decisão mais racional".

No ensino médio, há expectativa de aumento de matrículas, principalmente pela melhora do fluxo nos anos anteriores. Cerca de 1,5 milhão de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola. "Mas a evasão no 9.º ano do fundamental e no 1.º ano do médio ainda é alta", pondera Henriques.

Em 2014, havia 8,3 milhões de estudantes na etapa - 1% a menos do que em 2008. Só na rede pública, a queda foi de 2,2% no período. Passou de 7,3 milhões em 2008 para 7,2 milhões no ano passado. A rede particular de ensino médio, no entanto, cresceu 10,3%, chegando a 1,07 milhão de matrículas.

As boas notícias do Censo de 2014 estão no avanço das matrículas em creche e em tempo integral. Em 2014, havia 2,8 milhões de crianças em creche (de 0 a 3 anos), o que representa um salto de 65% sobre 2008. Com relação a 2012, o crescimento foi de 14%. As matrículas em tempo integral cresceram 41% em 2014 em relação ao anterior, chegando a 4,4 milhões de matrículas. O número é quase 6 vezes maior do que em 2008.

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