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Escolas públicas e privadas da mesma ‘classe social’ têm médias iguais no Enem

Pela primeira vez, avaliação de 2013 mostra que diferença entre colégios particulares e gratuitos é de menos de 5% no mesmo estrato socioeconômico; rede privada continua a liderar ranking nacional e Região Sudeste concentra 77 das 100 melhores notas

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BÁRBARA FERREIRA SANTOS, LUIZ FERNANDO TOLEDO e PAULO SALDAÑA ,
O Estado de S. Paulo

23 Dezembro 2014 | 00h22

As médias de desempenho por escola no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013 mostram mais uma vez o domínio da rede privada entre os primeiros colocados - a média dos colégios particulares é 15% maior do que a dos públicos. Também aparece a predominância de unidades do Sudeste no topo, com 77 escolas da região entre as cem melhores do País. Porém, os dados socioeconômicos trazem uma surpresa: quando comparadas as médias de grupos econômicos iguais, a diferença entre as redes pública e privada é de menos de 5%.

Os dados do Enem de 2013 por escola foram divulgados nesta segunda-feira, 22, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC). Esta foi a primeira vez que os dados trouxeram a classificação socioeconômica das escolas - uma reivindicação antiga de especialistas, uma vez que esse aspecto é um dos que mais influenciam o sucesso escolar.

A partir de informações de renda indireta, como bens materiais, e a escolaridade dos pais dos alunos que fizeram o Enem, o Inep chegou a sete níveis socioeconômicos. Nos dois níveis mais baixos, que representam escolas com os alunos mais pobres, a rede pública tem média 449,05 na prova objetiva, que leva em conta as notas em quatro áreas: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. A média da rede particular nesse grupo é apenas 1% superior: de 452,66.

Resultados similares aparecem na comparação com as escolas nos níveis médio (5), alto (6) e muito alto (7). Na faixa média, a nota das públicas é de 480,7 e das privadas, de 502,7 (4,5% maior) na prova objetiva. Já no nível mais alto, a nota média da rede pública foi de 550,67 e da particular, de 570,1 (3% superior). 

A Escola Técnica Estadual de São Paulo (Etesp), por exemplo, que foi a pública da capital com o melhor desempenho no Enem, tem alunos no nível socioeconômico muito alto. As 15 melhores públicas do País têm classificação entre alto e muito alto para esse critério. Das 50 particulares no topo do ranking, 45 têm alunos de nível muito alto e as outras cinco, alto.

A maior média do País na parte objetiva no Enem 2013 foi registrada pelo Colégio Objetivo Integrado, de São Paulo, com 741,94. Entre as cem maiores notas, somente sete são públicas. 

Contextualização. Segundo o presidente do Inep, Francisco Soares, a divulgação vai em direção ao esforço de tornar as informações das avaliações mais contextualizadas e com maior relevância pedagógica. “Queremos que cada escola e também a sociedade possa comparar escolas com outras parecidas”, diz. “Estamos mostrando que há diferenças em relação ao que o aluno traz de casa. Não é só a escola particular que é boa, são os alunos que elas recebem.”

Soares defende também que parte da diferença que se vê entre rede pública e privada neste e em outros indicadores educacionais tem a ver com o perfil dos alunos. “Parte da diferença (entre as redes) vem da distância socioeconômica”, afirma.

Além da divisão socioeconômica, os dados de 2013 do Enem por escola trouxeram outras informações inéditas. É possível saber o porcentual de professores com formação adequada e o desempenho dos 30 melhores alunos das unidades, entre outros pontos. Tiveram dados divulgados 14,7 mil escolas. Elas registraram participação no exame de ao menos 50% dos concluintes.

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