Chang W. Lee/NYT
Chang W. Lee/NYT

Escolas promovem atividades para lembrar dos 10 anos do 11 de setembro

Documentários e aulas temáticas são alguns dos recursos usados nos colégios; ex-alunos lembram do impacto da notícia

Marina Estarque, Especial para o Estadão.edu

09 Setembro 2011 | 19h28

Quando os aviões bateram nas Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, em 2001, muitas pessoas estavam em escolas. O próprio presidente americano na época, George W. Bush, soube do atentado dentro de uma sala de aula. Dez anos depois, o tema retorna ao ambiente de ensino com atividades especiais, voltadas para os estudantes.

Na Escola Pueri Domus, de São Paulo, o documentário Farenheit 11/9, de Michael Moore, foi exibido na tarde desta sexta-feira, 9, em quatro unidades, seguido de debate. A atividade é opcional para alunos de ensino médio e do 9º ano do ensino fundamental. O coordenador de ciências humanas do colégio, Ricardo Lourenço, diz que os alunos eram muito novos em 2001. “Eles deviam ter cerca de 5 anos na época, então nem se lembram. Mas, mesmo assim, sofrem a influência do atentado, que está sendo veiculado em todas as mídias novamente”, explica.

Gil Cardoso, de 14 anos, assistiu ao filme em uma das unidades do Pueri Domus. Para ele, Farenheit mostrou um outro lado sobre o atentado que ele não conhecia. "Pude aprofundar meu conhecimento", afirmou. Daniel Medina, de 13 anos, falou sobre o impacto das cenas: "Fico imaginando as pessoas lá dentro, vendo os aviões de aproximarem. As vítimas eram inocentes, precisam ser lembradas."

Imagem e som parecem ser os recursos mais usados pelos professores para aproximar os alunos de algo de que eles não se recordam. “Esta é uma forma mais fácil de eles entrarem no tema”, aponta Ricardo. Além disso, as imagens carregam uma dimensão simbólica, não facilmente compreendida por quem não viveu o período.

Choque de civilizações

“Por que as Torres Gêmeas? O que representavam aqueles edifícios? Isto não é tão claro para os alunos”, conta o professor de História Luis Affonso de Albuquerque, que promoveu palestras sobre o assunto na Escola Parque Gávea, no Rio de Janeiro. “Eu achei que algo não vivenciado presencialmente seria muito distante deles, mas havia um interesse enorme”, disse Affonso, também orientador pedagógico.

Outra escola carioca, o QI, na Tijuca, também organizou práticas extracurriculares. “Vivemos as consequências do 11 de setembro até hoje”, justifica Paulo Emílio Bouzan, diretor da unidade.

Em comum entre as atividades, o objetivo de realizar uma ponte entre a escola e o mundo, trazendo temas atuais para o universo do ensino. “Este é um grande referencial para o século 21. Mais do que respostas, é preciso dotar o aluno de instrumentos para entender melhor os atentados e construir um conhecimento crítico”, diz Affonso.

Mas o tema não é lembrado apenas em efemérides. Segundo a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, o 11 de setembro é estudado na 8ª série do ensino fundamental, em geografia, dentro do segmento "O mundo árabe e o mundo islâmico". O fato é retomado no 3º ano do ensino médio, sob o enfoque "choque de civilizações". De acordo com o professor Ricardo, do Pueri Domus, os atentados estão mais presentes no ensino de geopolítica, mas também são encontrados em livros didáticos de história.

Gávea Trade Center e o fim da civilização

Se por um lado alguns estudantes eram novos demais para apreender a dimensão do 11 de setembro, outros, mais velhos, recordam até hoje o impacto do acontecimento. Clarissa Bergman Fonte, então com 14 anos, estava na aula de história do professor Luis Affonso quando soube do atentado.

“Escutei que tinha tido um acidente no Gávea Trade Center, um shopping perto da escola, e fiquei preocupada como ia voltar para casa”, ela conta, rindo. “Depois que soube que era em Nova York, fiquei aliviada”, confessa. O professor confirma a confusão que gerou a informação truncada e disse que procurou providenciar uma televisão. “Os alunos ficaram agitados”, lembra Affonso.

Em Passos, Minas Gerais, a notícia chegou mais ou menos da mesma forma. Carolina de Assis, hoje com 24 anos, ficou perplexa: “O professor entrou em sala e disse que podia ser o começo da Terceira Guerra Mundial. Agora sei que a frase do professor foi exagerada, mas no dia voltei para casa achando que era o fim da civilização”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.