Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Escolas antecipam reforma do ensino médio

Instituições particulares de São Paulo oferecem itinerários de aprendizado, aulas optativas e projetos que aproximam estudante do mercado de trabalho

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2017 | 02h00

Antes mesmo da reforma do ensino médio começar a valer, colégios particulares de São Paulo já oferecem modelos que se assemelham à proposta aprovada pelo Senado. Os alunos podem escolher itinerários de estudo, aulas extras optativas e projetos interdisciplinares que os aproximam do mercado de trabalho. Apesar de terem adiantado algumas das mudanças, os colégios dizem que a reforma ainda deixa dúvidas e incertezas quanto à sua aplicação.

Na escola Lourenço Castanho, em Moema, na zona sul da capital, os alunos escolhem cursos eletivos para fazer no contraturno. Eles têm como opção teatro, grafite, geopolítica, fábrica de aplicativos, robótica e marcenaria, entre outros. “O aluno tem liberdade para escolher qualquer uma dessas opções, a única obrigação é cumprir uma carga horária mínima de eletivas”, diz Alexandre Abbatepaulo, diretor da escola. 

Uma das preocupações da escola é sobre como a reforma vai influenciar na escolha dos alunos. Segundo a proposta aprovada, os estudantes terão de optar por um dos cinco percursos formativo (Linguagens, Matemática, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Ensino Profissional). “O aluno no 1.º ano do médio não quer ficar preso a apenas uma área de conhecimento. Ele quer escolher o que aprender, mas ter a liberdade de transitar entre as áreas”, afirma Abbatepaulo.

A escola também estuda oferecer o percurso de Ensino Profissionalizante, por meio de parceria com colégios técnicos ou em cursos que não exijam muitos recursos. “Administração ou Jornalismo não demandam um investimento alto em equipamentos e podem ser uma opção.” 

O colégio Humboldt, em Interlagos, na zona sul, passou a ofertar neste ano para os alunos do médio três cursos de aprofundamento:  química nuclear, humanidades ou linguagens e códigos. O projeto é uma experiência em direção à ampliação da carga horária. “Antes mesmo da aprovação da reforma, nós já estudávamos como dar mais espaço para o aluno fazer escolhas. E é importante nos adiantarmos para termos mais tempo para nos adaptar, corrigir e melhorar o que for preciso, além de dar segurança a professores e alunos”, disse Erik Hörner, coordenador do colégio.

O Humboldt também oferece curso profissionalizante, que segue modelo alemão. Ao concluir o médio, os alunos podem optar pelo curso, fazer estágio de dois meses em alguma empresa parceira e, depois, ter um mês de aulas sobre a área. “Não sabemos se o modelo atende à reforma. Teremos de esperar a regulamentação para saber se precisaremos abrir uma nova estrutura técnica ou se poderemos incorporar o que temos.”

No colégio Visconde de Porto Seguro, no Morumbi, zona sul, os alunos podem optar por fazer o ensino médio regular ou curso técnico em comércio exterior. “É um curso diferente do que se chama de técnico no País. Ele busca desenvolver oralidade, organização, liderança e trabalho em equipe”, diz o diretor Carlson de Toledo.

Segundo ele, o colégio pensa em oferecer outros cursos técnicos no mesmo modelo. “Quando se faz uma escolha, a motivação para estudar é diferente. Mas não podemos deixar que o aluno perca a formação, o conhecimento das áreas que não escolheu para seu percurso.”

No colégio Anchieta, em São Bernardo do Campo, a partir deste ano os alunos do 1º ano do ensino médio terão um currículo flexibilizado, com disciplinas compartilhadas. Por exemplo, eles terão aulas conjuntas de História e Geografia para abordar os conteúdos de forma integrada, o mesmo acontecerá com Inglês e Língua Portuguesa em um projeto de criação de um jornal nos dois idiomas. 

"Como a reforma vai ter trilhas, trajetórias de ensino, temos que pensar no ensino de forma mais ampla. Não podemos mais pensar que as aulas devão ser só de uma disciplina", disse Marco Gregori, CEO da Eduinvest, da qual o Colégio Anchieta faz parte.

O novo modelo também promove a aprendizagem por meio de projetos e resolução de problemas, com isso os alunos desenvolvem competências voltadas para o mercado de trabalho. "Como trabalhamos com estudantes da classe C, sabemos que eles querem e necessitam saber que o que estão aprendendo pode ser aplicado no mercado de trabalho. É até uma forma deles ficarem mais interessados com as aulas". 

Mudanças.  A reforma do ensino médio foi aprovada pelo Senado no dia 8 – e o presidente Michel Temer afirmou que deve sancioná-la o “mais rapidamente”. As mudanças passarão a valer um ano após a aprovação da Base Nacional Comum Curricular, que definirá o que o aluno deve aprender em cada etapa.

 

 

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