‘Escola tem de respeitar o ritmo de cada um’

Terapeuta familiar e coordenadora do Centro de Estudos Seminários de Psicopedagogia afirma que escolas devem ter um projeto que respeite as diferenças

Entrevista com

Edith Rubinstein

Luciana Alvarez, Especial para o Estado

17 Setembro 2017 | 17h34

SÃO PAULO - Além de espaços físicos e bons resultados em vestibulares, questões menos visíveis devem ser observadas pelos pais. Acolhimento, respeito às diferenças e formação docente são algumas delas, segundo Edith Rubinstein, terapeuta familiar e coordenadora do Centro de Estudos Seminários de Psicopedagogia.

Com tantas variáveis para se pensar a escola, o que deve ter maior peso?

A prioridade deve ser a proposta pedagógica, ter um projeto que respeite as diferenças. Hoje muitas escolas médias e pequenas compram programas de uma rede, o que em si não é um problema. O que não pode é querer seguir à risca, porque nem todas as crianças conseguem chegar aos objetivos ao mesmo tempo. Deve-se tomar cuidado com a padronização.

Não é bom que todos sejam exigidos com o mesmo rigor? 

Às vezes uma suposta dificuldade de aprendizado nem é dificuldade, é só um ritmo acelerado que a escola quer impor. Além de olhar para a parte física, pais devem procurar saber da infraestrutura acadêmica que a escola tem para dar conta das diferenças, para atender uma criança que demore um pouco. E perguntar como é a formação continuada dos profissionais. Deve haver um sistema de acompanhamento e o suporte para os educadores. 

Ao escolher uma escola, os pais olham para o futuro, pensam na faculdade. É ruim buscar uma escola mais "forte"?

Muitos pais se preocupam com os resultados no Enem e vestibulares, mas isso é muito pouco se a intenção é construir oportunidades para uma criança ser autônoma, criativa, ética. Uma escola é forte no sentido de oferecer uma proposta de qualidade, ou de ser exigente de forma que poucos acompanhem? Os pais têm de se preocupar com o excesso de competição. Precisam avaliar se a escola oferece um material criativo, interessante, que desenvolva a autonomia do aluno.

Como saber se a escola está exigindo demais, se é hora de mudar? 

Se a criança está sempre precisando de ajuda, não desenvolve autoestima, pois sente que não é capaz de acompanhar sozinha. Gosto de usar uma metáfora de sapatos. A escola não pode ser um sapato apertado, que machuca, atrapalha a caminhada. Mas também não pode ser um chinelo. Tem de ser confortável, que ajude a caminhar, mas respeitando o ritmo de cada um.

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