TV Estadão | 04.06.2015
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Com desempenho destacado, escola rural na Bahia tem aula só 15 dias por mês

Dentre as escolas particulares com baixo índice socioeconômico, unidade tem o melhor desempenho na média do Enem

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

06 Agosto 2015 | 03h00

Os alunos só têm aulas em duas semanas do mês, mesmo assim a Escola Família Agrícola de Caculé, no interior da Bahia, teve a maior nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014, entre as escolas particulares com índice socioeconômico baixo. A média do resultado nas provas objetivas - Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza- da unidade foi de 486,8.

Apesar de ser considerada particular, a escola sobrevive de doações e os alunos contribuem com R$ 80 por mês, quando podem, para custear a alimentação e manutenção.

Com 160 alunos, a escola tem apenas cinco professores. O diretor Geraldo Marque da Silva, por exemplo, também dá aulas de Biologia e Química. “Assim, como temos a proposta de dar um ensino integral, nós professores também temos que exercitar isso”, contou Silva, que também foi aluno da escola, quando ela tinha apenas ensino fundamental.

Na unidade, além das aulas regulares, os alunos também aprendem técnicas agrícolas. “Por isso, fizemos esse modelo de ter aulas por duas semanas de forma integral, os alunos dormem e fazem tudo aqui. Depois eles ficam duas semanas em suas casas, onde aplicam o que aprenderam já que a maioria são filhos de pequenos produtores da região. É a pedagogia da alternância”, explicou Silva.

Silva disse que os bons resultados do modelo de ensino usado pela escola são confirmados pelo Enem. “Muitos alunos nossos entraram em universidades federais, alguns estão cursando Agronomia, Veterinária e até Medicina. Um deles, inclusive, foi para a Austrália pelo [programa] Ciências Sem Fronteiras”.

A escola adotou esse modelo em 2005 e teve que montar um processo seletivo por causa da alta procura. Por ano, cerca de 120 estudantes se inscrevem, mas apenas 45 são selecionados. “Gostaríamos de atender mais gente, mas não teríamos condições de manter a qualidade e a gratuidade”. Dos 160 alunos, 75% são meninos. 

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