Felipe Rau/Estadão
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Luciana Alvarez, Especial para o Estado

17 Setembro 2017 | 17h37

SÃO PAULO - Quando foi procurar pela primeira vez uma escola para os filhos, um dos critérios de Ana Lucia de Moraes foi que a instituição oferecesse desde o ensino infantil até o médio. “Eu queria uma escola em que eles permanecessem, para ter uma linearidade no aprendizado”, conta. Ela não acertou de primeira, mas conseguiu reconhecer logo que os filhos precisavam mudar. “Após dois anos, vi que a escola estava enfrentando alguns problemas e busquei outra.”

A família optou então pela Escola Móbile, onde Pedro e Gabriela, hoje com 19 e 17 anos, e mais tarde Lívia, de 15, se adaptaram bem e permaneceram até o ensino médio. Gabriela, que está no último ano, já antecipa que sentirá saudade ao se formar. “Sinto como uma segunda casa, passo muito tempo lá.” E, apesar da fama de ser uma instituição que prepara bem para o vestibular, ela garante que é muito mais do que isso.

“Toda sexta à tarde, por exemplo, tem alguma atividade cultural, e eu sempre participei. São coisas que a gente leva para a vida.” Sua irmã, Lívia, no 1.º ano do ensino médio, concorda que o colégio tem vantagens além da preparação para a faculdade. “O Móbile acompanha a gente de perto e se preocupa também com o lado emocional. Na parte pedagógica, gosto da importância que se dá aos processos. Quase nada é decorado, a gente tem de entender mesmo.”

O diretor do ensino médio da Móbile, Wilton Ormundo, acredita que uma boa comunicação com os pais, desde a apresentação da proposta da escola, é essencial para que uma parceria se estabeleça e os alunos possam ficar por muito anos. Mas não basta conversar, o colégio tem de acompanhar a evolução no mundo. “A escola tem de estar atenta aos fenômenos da contemporaneidade. Há 40 anos, quando a Móbile foi fundada, se falava em habilidades cognitivas. Hoje, as habilidades socioemocionais também são imprescindíveis. Acompanhar essas mudanças não é ceder a modismos.”

Uma escola que se transforma, que se adapta às exigências do mundo: também é assim que Vager Silva, coordenador do ensino médio do Colégio Agostiniano Mendel, vê a instituição. “Estamos sempre oferecendo algo a mais. Temos cursos de aprofundamento à tarde, projetos de trabalho voluntário, campeonatos esportivos, certificações internacionais de inglês. Nas aulas de Educação Física, quem não gosta de esportes pode optar pela ginástica.”

A partir de 2018, o colégio passa a oferecer no contraturno o programa de high school, no qual o estudante obtém um diploma que pode ser usado para entrar em faculdades dos Estados Unidos. “Já temos alunos que entraram em universidades americanas e vimos que há um interesse crescente.”

Cada período. Além de se modificar, uma escola precisa acompanhar as transformações naturais de crianças e adolescentes, em cada etapa do desenvolvimento. “Quando fui procurar uma escola de ensino fundamental para minha filha mais velha, saber se ela ficaria até o médio não era uma preocupação. Olhei para aquela etapa, ouvi as indicações da diretora da pré-escola onde ela estava, fui até a porta da escola para conversar com alguns pais”, lembra-se Célia Hori, mãe de Cláudia, de 21 anos, que estudou no Colégio Vértice por dez anos, e de Ricardo, de 16, que stá no 2.º do ensino médio na mesma instituição.

A escola tinha o perfil que a família procurava e os dois filhos seguiram sempre ganhando mais autonomia. “Acho bom que eles aprendem a resolver os problemas sozinhos. Se têm dúvidas, há um esquema de plantão na escola. Quando começa o médio, passam a ficar dois dias em período integral, mas saem no almoço, vão a um restaurante perto com os amigos”, conta Célia.

O diretor do fundamental 2 e do médio do Vértice, Adilson Garcia, defende que o alinhamento entre as crenças da escola e da família é o item mais importante para uma parceria duradoura. “Pela nossa ‘fama’, algumas famílias vêm procurar o Vértice no fim do ensino médio. Mas bater firme no processo de transformar informação em conhecimento é só um recorte do trabalho da escola. O que nos interessa é o desenvolvimento integral.” Garcia cita valores trabalhados desde o infantil. “Prezamos o respeito em todos os níveis, entre colegas, funcionários. Uma família que, ao interagir com um porteiro, gosta de botá-lo um degrau abaixo não está de acordo com nossos princípios.”

Vínculos. A proximidade de casa, a oferta de diversas atividades extracurriculares, o programa de bolsas, o alto índice de aprovação em vestibulares são alguns dos pontos que Walter José Guidi destaca como fatores que levaram sua família a matricular os filhos, Julia e Danilo, no Colégio Albert Sabin. Mas o que os fez seguir durante todas as etapas na mesma instituição foi a qualidade dos relacionamentos. “Eles gostam muito dos colegas e também dos professores. No ensino médio, a escola tem um apadrinhamento de alunos por professores. Funciona como uma espécie de tutor. Eles se encontram até fora da escola, saem para almoçar”, diz o pai. 

Ao conseguir cativar pais e alunos, os vínculos se estreitam e perduram não apenas durante a vida escolar do aluno, mas também de seus filhos. “Quis botá-los no Santa Cruz porque estudei lá e gostei muito. Se hoje ligo na escola, todo mundo sabe quem sou, quem são meus filhos”, diz Ana Maria Lobo, mãe de Ricardo, de 17 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio. As duas filhas mais velhas também fizeram toda a educação básica na instituição. “Claro que tinha um risco de ter dado certo para mim, mas não para eles. Mas todos se acertaram bem.”

PASSO A PASSO PARA A DECISÃO

Consenso

Reflita em família sobre o que consideram importante uma escola oferecer, e o que seria um problema. Todos devem ser honestos e os pais precisam chegar a um consenso.

Pesquisa

Procure saber quais são as instituições perto da sua residência, veja se a faixa de preço está adequada às possibilidades familiares, e só então comece as visitas.

Visita

Durante a ida ao colégio, observe o clima entre os estudantes e a relação deles com os funcionários. Ao conversar com os gestores, peça exemplos, para entender como a filosofia da escola se dá na prática.

Informação

Vá à porta da escola no horário de entrada e saída. Puxe conversa com pais e alunos, ouça a visão deles sobre a escola, veja se está de acordo com o que é dito oficialmente.

Prioridade

Tenha consciência de que “a escola perfeita” não existe e de que será preciso ceder em alguns pontos. O essencial é que o filho se sinta bem naquele ambiente e tenha vontade de aprender.

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Luciana Alvarez, Especial para o Estado

17 Setembro 2017 | 17h17

SÃO PAULO - “A Helena, minha filha mais velha que já está na faculdade, entrou com 4 meses no berçário e nunca mais mudamos. Quando ela era bebê, visitamos várias escolas e a Mágico de Oz atendeu a todas as nossas expectativas quanto ao projeto pedagógico, ao número de profissionais por criança. Também tinha uma fazendinha e uma estrutura boa de enfermaria, câmeras, o que nos dava segurança. Além disso, era perto do trabalho e de casa, o que deixou a rotina mais prática. 

Ela se adaptou muito bem. E nós, minha mulher e eu, sentimos que aprendia bastante, que existia um rigor pedagógico além da diversão. Ela sabia tudo sobre os bichos, a horta. Isso foi nos cativando. Quando o Rodrigo e depois a Sofia nasceram, também quisemos que fossem para a mesma escola. Hoje estão no 2.º ano do ensino médio e 6.º do fundamental. 

No período da mudança do infantil para o fundamental, voltamos a pensar sobre qual seria a melhor opção. Chegamos até a conseguir vaga em outra escola, concorrida, mas sentimos que ela estava tão feliz, aprendendo tanto, que seria bom dar continuidade ao projeto. Na época conversamos muito com outros pais, procuramos quem tinha filhos mais velhos na escola para ouvir opinião. Escolhemos seguir no Colégio Magno.

Para o ciclo do fundamental 2, voltamos a olhar outras escolas. Mas vimos que o colégio estava fazendo um esforço de reformulação, investindo em um programa de high school (o diploma aceito em universidades americanas), parcerias com a Unesco, o Google. Preferimos mais uma vez continuar. O programa full time do Magno também ajuda muito a desenvolver áreas para além do intelectual.

Eles já fizeram xadrez, esgrima, balé, enfim, puderam experimentar de tudo um pouco para saber do que gostam. 

Minha experiência pessoal foi oposta à dos meus filhos: eu morei em várias cidades, pulei de escola em escola, e não gostava de ir estudar. Nesse tempo todo deles no Magno, nunca tiveram um problema de bullying, ou de aversão a estudar. Eu vejo que todos sempre acordaram felizes, querendo ir para o colégio. Isso conta muito para decidir permanecer na mesma escola.” 

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Luciana Alvarez, Especial para o Estado

17 Setembro 2017 | 17h34

SÃO PAULO - Além de espaços físicos e bons resultados em vestibulares, questões menos visíveis devem ser observadas pelos pais. Acolhimento, respeito às diferenças e formação docente são algumas delas, segundo Edith Rubinstein, terapeuta familiar e coordenadora do Centro de Estudos Seminários de Psicopedagogia.

Com tantas variáveis para se pensar a escola, o que deve ter maior peso?

A prioridade deve ser a proposta pedagógica, ter um projeto que respeite as diferenças. Hoje muitas escolas médias e pequenas compram programas de uma rede, o que em si não é um problema. O que não pode é querer seguir à risca, porque nem todas as crianças conseguem chegar aos objetivos ao mesmo tempo. Deve-se tomar cuidado com a padronização.

Não é bom que todos sejam exigidos com o mesmo rigor? 

Às vezes uma suposta dificuldade de aprendizado nem é dificuldade, é só um ritmo acelerado que a escola quer impor. Além de olhar para a parte física, pais devem procurar saber da infraestrutura acadêmica que a escola tem para dar conta das diferenças, para atender uma criança que demore um pouco. E perguntar como é a formação continuada dos profissionais. Deve haver um sistema de acompanhamento e o suporte para os educadores. 

Ao escolher uma escola, os pais olham para o futuro, pensam na faculdade. É ruim buscar uma escola mais "forte"?

Muitos pais se preocupam com os resultados no Enem e vestibulares, mas isso é muito pouco se a intenção é construir oportunidades para uma criança ser autônoma, criativa, ética. Uma escola é forte no sentido de oferecer uma proposta de qualidade, ou de ser exigente de forma que poucos acompanhem? Os pais têm de se preocupar com o excesso de competição. Precisam avaliar se a escola oferece um material criativo, interessante, que desenvolva a autonomia do aluno.

Como saber se a escola está exigindo demais, se é hora de mudar? 

Se a criança está sempre precisando de ajuda, não desenvolve autoestima, pois sente que não é capaz de acompanhar sozinha. Gosto de usar uma metáfora de sapatos. A escola não pode ser um sapato apertado, que machuca, atrapalha a caminhada. Mas também não pode ser um chinelo. Tem de ser confortável, que ajude a caminhar, mas respeitando o ritmo de cada um.

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