Escola estadual ocupada é alvo de vandalismo em Osasco

Além de depredação, unidade teve aparelhos eletrônicos furtados e documentos destruídos; autoria do ataque é investigada pela polícia

Felipe Resk e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2015 | 10h26

SÃO PAULO - A Escola Estadual Coronel Antônio Paiva de Sampaio, em Osasco, na Grande São Paulo, foi alvo de depredação, teve aparelhos eletrônicos furtados e documentos destruídos na noite desta segunda-feira, 30. Também houve um princípio de incêndio na biblioteca do colégio. A unidade de ensino estava ocupada por alunos desde o dia 16 de novembro. A autoria do ataque ainda é investigada.

A Polícia Militar foi acionada para o local por volta das 18 horas, após vizinhos ouvirem barulho de quebra-quebra na escola. Segundo informações da Secretaria Estadual da Educação, os criminosos invadiram o laboratório do colégio e roubaram computadores e tablets. Portas foram arrombadas e cadeiras, mesas e armários ficaram revirados por corredores e salas.

Após o ataque, a escola ficou tomada de lixo, resto de comida e papéis espalhados pelo chão. Materiais de escritório, provas e documentos do colégio também foram destruídos. A unidade de ensino havia sido ocupada por estudantes no dia 16. De acordo com último balanço divulgado pela pasta, 194 escolas do Estado foram alvo de ocupações.  

Em uma página no Facebook, alimentada por opositores da reorganização da rede estadual de ensino da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), um grupo afirmou que a escola foi invadida e destruída por "pessoas estranhas". "Aterrorizados, muitos dos estudantes que estavam ocupando o prédio saíram. Logo em seguida chegou a PM jogando bombas dentro da escola", diz a publicação. Ainda de acordo com a postagem, um aluno se cortou com pedaços de vidro e outro estudante passou mal com a fumaça.

A dirigente regional de Ensino de Osasco, Irene Machado, nega que houve conflito entre policiais e alunos. "A PM entrou em contato conosco por volta das 18h40. A escola estava toda trancada e ninguém que estava dentro dela nos atendia. Ficamos esperando a perícia chegar para poder entrar legalmente", afirma.

Irene se diz surpreendida com a destruição na escola, mas afirma que só a investigação da Polícia Civil vai apontar quem são os autores do crime. "Praticamente toda a escola foi alvo de um vandalismo sem comparação com o que eu tenha visto até hoje. Tudo que foi possível ser destruído foi", diz. "Não sabemos quem foi, nem porque nem para que."

"Estranhos". Balanço parcial feito por funcionários do colégio aponta que foram roubados ao menos dez computadores, duas televisões de LED e 15 tablets. "Não sabemos quem fez. Mas foi um ato intencional de destruir a escola. Depredaram, sujaram, jogaram alimentos pelo chão", disse Irene. Segundo a dirigente, a secretaria já solicitou filmagem das câmeras de segurança internas do colégio, mas estas haviam sido viradas durante a ação. 

A dirigente afirmou que a secretaria tentava negociação com os estudantes da ocupação no domingo. Uma assembleia com pais e professores para decidir sobre a desocupação estava marcada para ocorrer nesta terça-feira, antes de a Polícia Militar ter sido acionada. De acordo com ela, havia informações de que "pessoas estranhas" participavam da ocupação, não só alunos.

O Estado visitou a unidade e constatou que havia marcas de depredação nas dependências do colégio. Em uma sala administrativa foi jogado café em toda a parede.  Um computador estava completamente destruído no chão, além de uma televisão. Um scanner teve os vidros quebrados. Havia feijão, arroz e carne espalhados no pátio da escola. Na parede de uma das portas das salas de aula foi feita uma pichação com a sigla "PCC", associada à facção criminosa. 

O estudante Cainã Francisco, de 17 anos e aluno do 2º ano do ensino médio, confirmou a presença de estranhos. Ele estava na escola no momento em que foi ocupada. "Tinha pessoas que eu nunca vi na vida. Vi alguns punks na porta quando fui embora", relatou ele, que disse não ter deixado a unidade assim que foi tomada. 

Proprietário de uma loja de variedades próxima à escola, o comerciante Vanderlei Espósito, de 56 anos, relatou ter ouvido o momento em que a depredação teve início, por volta das 16h30. "Vi várias pessoas pulando o muro da escola. Eles colocaram uma lona na frente e não dava para enxergar nada. Diziam que era por causa da chuva", comentou. Um dos que pularam estaria encapuzado, segundo o comerciante. 

Um boletim de ocorrência foi registrado no 1º Distrito Policial (Vila Pestana) de Osasco.

Após o ataque, os alunos encerraram a ocupação e voltaram para casa. Segundo a dirigente, serão necessários pelo menos dois dias para reorganizar a escola e dar condições mínimas para que as aulas sejam restabelecidas na unidade.

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