Ensino médio é desinteressante para o jovem de hoje

Para Ricardo Henriques, do Instituto Unibanco, ampliação do tempo escolar precisa estar atrelada à reforma curricular, melhoria do ambiente e investimentos em infraestrutura

Ricardo Henriques, O Estado de S. Paulo

18 Outubro 2014 | 19h12

Os desafios para melhorar a qualidade do Ensino Médio são muitos e estruturais – faltam professores, vagas no diurno, estrutura e gestão. Destaco alguns relacionados à melhoria do currículo e da aprendizagem. O modelo curricular é ultrapassado, enciclopédico, conteudista, com excesso de disciplinas obrigatórias e desconectado do mundo do trabalho e da sociedade contemporânea. Cenário desinteressante para o jovem de hoje.

É necessária uma revisão curricular que, a partir de uma base nacional comum, oriente os currículos e contribua para a equidade de resultados, sem interferir na autonomia das escolas. Isso permite uma agenda mais flexível, capaz de atrair e manter os jovens na escola: uma formação que contemple competências cognitivas e socioemocionais relevantes e dialogue com os anseios legítimos dos jovens por maior autonomia, participação e um ensino mais individualizado, articulado às suas expectativas e projetos de vida.  

A melhoria da aprendizagem depende de professores bem formados e preparados para lidar com a heterogeneidade dos jovens e com a diversidade dos contextos da realidade. Isto significa uma formação docente com sólida base técnica e especializada, aliada a uma didática competente para lidar com os desafios em sala de aula. 

Há também o importante desafio de aumentar a jornada escolar com a oferta de ensino em tempo integral. No entanto, de nada adiantará oferecer mais do mesmo. A ampliação do tempo escolar precisa estar atrelada à reforma curricular, à melhoria do ambiente escolar e investimentos em infraestrutura para prover equipamentos de qualidade. 

Por fim, a gestão das redes de ensino e do cotidiano das escolas deve ser orientada para assegurar resultados de aprendizagem, estabelecendo metas claras a partir de diagnósticos contextualizados e definindo ações e responsabilidades a serem monitoradas de forma rigorosa e contínua. A qualidade da gestão está na raiz de uma transformação técnica e política que coloque como prioritário o direito à aprendizagem dos jovens.

* Ricardo Henriques é superintendente executivo do Instituto Unibanco
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