Acervo pessoal
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Engenheiro aposta em MBA nos EUA para mudar de carreira

Igor Barros, de 34 anos, vendeu apartamento para estudar em Yale, mas pretende recuperar investimento com novo emprego nos EUA

Juliane Freitas, O Estado de S. Paulo

09 Março 2015 | 16h34

 Vender um apartamento, fazer um financiamento, deixar tudo para trás e mudar de país para estudar. O plano pode soar extremo e exige coragem, desprendimento, muito planejamento e recursos financeiros consideráveis. Em busca de uma reviravolta em sua caminhada profissional, Igor Barros, de 34 anos, resolveu assumir o risco. 

Formado em Engenharia de Controle de Automação em Belo Horizonte, em 2005, e com uma carreira consolidada em uma grande empresa do setor aeronáutico, o hoje estudante decidiu, depois de dez anos de carreira, abandonar a área técnica da construção de aviões e desenvolver novas habilidades na área administrativa. Foi quando resolveu que faria um MBA fora do Brasil.  

"Sempre digo que a melhor maneira de saber como vai ser o futuro é inventá-lo e percebi que precisaria ter uma formação mais completa. Pensei onde queria chegar daqui uns anos e conclui que o MBA seria uma peça fundamental para isso'", conta Barros. 

O engenheiro está no último semestre do MBA em Administração da Yale School of Management, em New Haven, nos Estados Unidos, e de volta ao Brasil com a turma de seu curso para o Global Social Enterprise, uma espécie de estágio, em que os estudantes prestam consultoria gratuita a empresas. É uma forma de aplicar na prática conhecimentos aprendidos nas aulas, se sentir mais preparado para o mercado e trocar experiências com pessoas de outros países. Tudo isso pesou na hora de Barros escolher seu curso. 

Antes de chegar em Yale, ele buscou conhecer cada uma das escolas em que participaria do projeto de requisição. Foram nove nos EUA e duas na Europa. No fim, o caráter global da renomada universidade norte-americana e as facilidades para quitar as despesas do MBA acabaram por fazer dela a escolha vencedora.  A universidade é, inclusive, conhecida por oferecer bolsas e programa de financiamento para alunos interessados em trabalhar em organizações públicas e filantrópicas depois do curso. 

"Eu escolhi Yale porque me deixaria um pouco mais fora da minha zona de conforto, com qualidade altíssima dos alunos e maior disposição a outras culturas. Yale é a escola americana mais global e a melhor para quem pensa em mudar o mundo", conta. "Outra coisa interessante de Yale é que você pode pegar empréstimo na própria escola, o que viabilizou minha ida." 

O caráter multicultural se fez presente e, para Barros, é o ponto forte dessa jornada profissional. Mesmo no Brasil, relata, há experiência de intercâmbio. Único brasileiro do grupo de 25 estudantes, acabou tomando a frente em algumas decisões coletivas. Durante o MBA, passou também 20 dias na Índia, onde conheceu grandes líderes do governo e da área de negócios, e na Espanha, em Barcelona, estudando na IESE School of Business.  

"Esse tipo de experiência que eu tive, viajando para outros países, é fundamental para quem quer ser um líder de uma empresa global. Você precisa lidar com as tendências do mundo, ter uma experiência de trabalho com pessoas de países diferentes. Se você não tem esse tipo de experiência num ambiente controlado, pode ser que cometa alguns erros que não cometeria com essa preparação", diz Barros.  

Ainda em dívida - em dólar - com a universidade, o engenheiro está tranquilo para deixar a antiga profissão de lado e desistiu de voltar para o Brasil, onde pretendia, inicialmente, trabalhar com consultoria na área administrativa. Já arrumou um emprego com salário acima da média americana na Flórida, onde espera vivenciar, agora plenamente, a liberdade e os desafios de morar longe de casa.  

"Eu achava que estudar seria uma experiência internacional, mas acho que você precisa trabalhar em outro país para entender mesmo como é isso. Quase todo mundo quer ficar nos Estados Unidos e fazer um MBA abre muitas portas para participar de processos de emprego", conta. "Eu queria muito encontrar um lugar para usar esses conhecimentos todos. A situação do Brasil é muito crítica e penso que poderia ser um desperdício, a longo prazo, voltar."  

Às vésperas de deixar o status de estudante, Barros indica a experiência para quem está em dúvida sobre o valor do esforço para cursar um MBA no exterior. "Com certeza absoluta vale a pena se você gostar de negócios e souber o que quer. Vou ter um retorno muito maior do que investi. As pessoas não devem pensar só no dinheiro. O MBA abriu muitas portas que não seriam abertas facilmente." 

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