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DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Encontro sobre reorganização exalta grêmios, mas não discute mudança na rede estadual

Primeira reunião foi realizada em Bauru, no interior do Estado; mais 14 debates devem ser realizados

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Luiz Fernando Toledo,
O Estado de S.Paulo

16 Março 2016 | 08h42

SÃO PAULO - O primeiro encontro entre estudantes da rede estadual de educação paulista com o secretário José Renato Nalini terminou na última quinta-feira, 10,  sem discussão sobre o principal tema pelo qual as reuniões foram convocadas: a reorganização da rede. Na primeira das quinze reuniões anunciadas pela pasta, em Bauru, no interior de São Paulo, destacaram-se realizações de grêmios estudantis. Mas o processo que até o ano passado previa a divisão dos colégios por ciclos e o fechamento de 93 unidades só foi mencionado no final, durante questionamento dos alunos.

O projeto A Escola Que Queremos foi anunciado pela Secretaria Estadual de Educação (SEE) na semana passada e prevê uma série de encontros com alunos para debater a reorganização “caso a caso”. A medida foi tomada pela pasta depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) suspender o processo após ação movida pelo Ministério Público Estadual e Defensoria Pública, queda de popularidade e ocupação de quase 200 escolas.

A reunião foi dividida em duas partes: o primeiro momento, que durou mais de uma hora, teve apresentação de grêmios da região de Bauru, exaltando projetos realizados nas escolas. Em uma das falas, uma estudante de Marília ressaltou a falta de impressoras na rede. Os equipamentos, que não pertenciam à secretaria, foram retirados depois do fim do contrato e ainda não há prazo para o fim da nova licitação.

Em defesa da secretaria, a coordenadora de Gestão de Recursos Humanos Cleide Bochixio afirmou que os estudantes estão “distantes” das informações e culpou a demora nos processos de licitação, mas ressaltou que os equipamentos chegarão. “O Estado, de forma geral, é muito burocrático. Tudo que você vai fazer, tem licitação. Qualquer aquisição é demorada”, disse. Depois de ser vaiada, a coordenadora disse que o protesto “faz parte da democracia”.

A importância dada às entidades estudantis é parte da estratégia da secretaria, que convocou eleições dos grupos em todas as escolas da rede e vai reformulá-los. A medida foi tomada depois de o Ministério Público Estadual (MPE) ter apontado que os grupos já existentes, em 3,4 mil colégios, não tinham participação efetiva nas decisões das escolas. A ideia é fortalecer os grupos na tomada de decisões das unidades.

Críticas. O segundo momento foi de abertura às perguntas dos alunos. Parte dos estudantes fizeram elogios à pasta, especialmente nas escolas de ensino integral - a previsão é que o Estado tenha 532 unidades deste tipo até o fim deste ano, 39 a mais do que em 2015.

A discussão ficou polarizada quando uma estudante da escola estadual Stela Machado, uma das 196 ocupadas em 2015 contra a reorganização, ressaltou que o tema não havia sido debatido. "Por que nos slides só tem as coisas boas que o grêmio fez? Por que não tem ocupação? Por que não tem reorganização das escolas? Por que o pessoal do lado de fora não pode entrar? Dois lados devem ser ouvidos".

Em outra pergunta mais direta sobre a reorganização, feita pelo estudante Danilo Pereira, Nalini destacou que o processo foi suspenso por decreto e que o tema “está aberto” para discussão, mas não detalhou qual seria a nova proposta da pasta.

A secretaria, em nota, ressaltou que a reorganização como proposta em 2015 está suspensa e que qualquer novo formato deverá ser discutido com os alunos. Afirmou que o primeiro encontro teve representação de sete grêmiod de cada uma das regiões que formam os polos estaduais (divisão administrativa de cidades). A pasta não esclareceu, no entanto, o critério para a seleção destes grêmios.

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