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Encontro sobre reorganização exalta grêmios, mas não discute mudança na rede estadual

- Atualizado: 16 Março 2016 | 08h 43

Primeira reunião foi realizada em Bauru, no interior do Estado; mais 14 debates devem ser realizados

SÃO PAULO - O primeiro encontro entre estudantes da rede estadual de educação paulista com o secretário José Renato Nalini terminou na última quinta-feira, 10,  sem discussão sobre o principal tema pelo qual as reuniões foram convocadas: a reorganização da rede. Na primeira das quinze reuniões anunciadas pela pasta, em Bauru, no interior de São Paulo, destacaram-se realizações de grêmios estudantis. Mas o processo que até o ano passado previa a divisão dos colégios por ciclos e o fechamento de 93 unidades só foi mencionado no final, durante questionamento dos alunos.

O projeto A Escola Que Queremos foi anunciado pela Secretaria Estadual de Educação (SEE) na semana passada e prevê uma série de encontros com alunos para debater a reorganização “caso a caso”. A medida foi tomada pela pasta depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) suspender o processo após ação movida pelo Ministério Público Estadual e Defensoria Pública, queda de popularidade e ocupação de quase 200 escolas.

A reunião foi dividida em duas partes: o primeiro momento, que durou mais de uma hora, teve apresentação de grêmios da região de Bauru, exaltando projetos realizados nas escolas. Em uma das falas, uma estudante de Marília ressaltou a falta de impressoras na rede. Os equipamentos, que não pertenciam à secretaria, foram retirados depois do fim do contrato e ainda não há prazo para o fim da nova licitação.

Em defesa da secretaria, a coordenadora de Gestão de Recursos Humanos Cleide Bochixio afirmou que os estudantes estão “distantes” das informações e culpou a demora nos processos de licitação, mas ressaltou que os equipamentos chegarão. “O Estado, de forma geral, é muito burocrático. Tudo que você vai fazer, tem licitação. Qualquer aquisição é demorada”, disse. Depois de ser vaiada, a coordenadora disse que o protesto “faz parte da democracia”.

A importância dada às entidades estudantis é parte da estratégia da secretaria, que convocou eleições dos grupos em todas as escolas da rede e vai reformulá-los. A medida foi tomada depois de o Ministério Público Estadual (MPE) ter apontado que os grupos já existentes, em 3,4 mil colégios, não tinham participação efetiva nas decisões das escolas. A ideia é fortalecer os grupos na tomada de decisões das unidades.

Estudantes ocupam Avenida Paulista contra proposta de reorganização da rede estadual 

Estudantes ocupam Avenida Paulista contra proposta de reorganização da rede estadual 

Críticas. O segundo momento foi de abertura às perguntas dos alunos. Parte dos estudantes fizeram elogios à pasta, especialmente nas escolas de ensino integral - a previsão é que o Estado tenha 532 unidades deste tipo até o fim deste ano, 39 a mais do que em 2015.

A discussão ficou polarizada quando uma estudante da escola estadual Stela Machado, uma das 196 ocupadas em 2015 contra a reorganização, ressaltou que o tema não havia sido debatido. "Por que nos slides só tem as coisas boas que o grêmio fez? Por que não tem ocupação? Por que não tem reorganização das escolas? Por que o pessoal do lado de fora não pode entrar? Dois lados devem ser ouvidos".

Em outra pergunta mais direta sobre a reorganização, feita pelo estudante Danilo Pereira, Nalini destacou que o processo foi suspenso por decreto e que o tema “está aberto” para discussão, mas não detalhou qual seria a nova proposta da pasta.

A secretaria, em nota, ressaltou que a reorganização como proposta em 2015 está suspensa e que qualquer novo formato deverá ser discutido com os alunos. Afirmou que o primeiro encontro teve representação de sete grêmiod de cada uma das regiões que formam os polos estaduais (divisão administrativa de cidades). A pasta não esclareceu, no entanto, o critério para a seleção destes grêmios.

Desafios da reorganização de ensino em SP
SÉRGIO CASTRO/ESTADÃO
Reorganização

A Secretaria da Educação de São Paulo apresentou, em setembro, a reorganização de sua rede. A ação pretende reduzir o número de segmentos das escolas estaduais para que tenham ciclo único, ou seja, atendam os anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º), anos finais (6º ao 9º) e ensino médio separadamente. Veja alguns motivos que levam a pasta a ter dificuldades para convencer a população sobre os possíveis benefícios da medida. 

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