Em Santa Catarina, agroturismo ajuda a frear o êxodo rural

Reportagem foi finalista do Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

08 Agosto 2013 | 18h48

Juliana de Souza Ferreira*

Com a intenção de valorizar o modo de vida no campo e, consequentemente, reduzir o êxodo rural em Santa Catarina, a engenheira agrônoma Thaise Guzzatti, de 37 anos, fundou a associação de agroturismo ecológico Acolhida na Colônia, em 1999. Hoje, são 180 famílias de agricultores associadas, que recebem os turistas em suas propriedades, compartilhando seu modo de vida, sua rotina de trabalho e a cultura local.

“Nós promovemos a agricultura familiar, com a manutenção do homem no campo e geração de renda alternativa”, diz Lucilene Assing, de 28, engenheira agrônoma e técnica da Associação. “Um dos princípios da Acolhida é o respeito à natureza, com incentivo à produção orgânica, à preservação das águas e à reciclagem do lixo.”

Segundo dados do Censo Demográfico, entre 1991 e 2010, a população urbana de Santa Catarina aumentou de 70,6% para 84%, enquanto a rural passou de 29,4% a 16%. A estatística representa pessoas como a professora Keler Beckhauser, de 38, que trocou Urubici por Florianópolis em 1993, para fazer faculdade. Depois de formada, continuou na capital. “Nos primeiros anos, foi bem difícil. Será que fico? Agora estou aqui e preciso ficar. Vou fazer faculdade. É o que eu gosto. Vou voltar pra lá e fazer o quê?”

Já os pais dela, Irma e Evaldo Beckhauser, de 63 e 65 anos, preferiram buscar alternativas para se manterem no campo. Atualmente, a renda do casal é composta por aposentadoria, arrendamento de terras, cultivo orgânico e produção de geleias. Além disso, eles se associaram à Acolhida na Colônia, montando uma pousada na propriedade. “A gente já tinha um café colonial que atendia mediante reserva. Depois, como optamos pela agricultura orgânica, o projeto da Acolhida fez o convite para nos associarmos”, conta Evaldo Beckhauser.

A escolha do casal pelo cultivo orgânico resultou de exames médicos, que constataram que eles estavam intoxicados por causa do contato com agrotóxicos. “A consciência foi pesando. A gente tinha de mudar. Isso aconteceu principalmente por causa da saúde”, diz Irma.

Após dez anos de experiência com produção orgânica, o conhecimento de Beckhauser surpreendeu um técnico que visitou a propriedade. Ele orientou que o agricultor removesse o capim e deixasse o campo limpo. Então, Beckhauser informou que seguia as regras da agroecologia, onde a própria erva daninha é usada na adubação. “Depois disso, cada vez que vinha aqui, ele dizia: ‘O senhor fala, porque eu não sei como funciona a agroecologia’.”, comenta Beckhauser.

*Finalista do Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

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