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Em ato contra cortes, estudantes ocupam a reitoria da Unicamp

600 alunos tomaram o local para manifestação contra redução de verbas para a universidade e favor da ampliação de moradia

Marcelo Andriotti, Especial para o Estado

11 Maio 2016 | 09h03

CAMPINAS - Cerca de 600 estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) invadiram a reitoria da universidade no câmpus de Campinas, no interior de São Paulo, na noite de terça-feira, 11. A ocupação aconteceu por volta das 23 horas, após decisão tomada em assembleia. Os alunos reivindicam a ampliação da moradia estudantil, a implantação de cotas sociais e protestam contra o corte de R$ 40 milhões anunciado pelo reitor José Tadeu Jorge.

Com o lema "Cota, sim. Cortes, não! Contra o Golpe e pela Educação. Permanência e ampliação", os estudantes estão no prédio onde funcionam a reitoria e pró-reitorias.

A Unicamp informou que foi surpreendida pela invasão e que não recebeu nenhuma reivindicação dos estudantes. Em nota, a reitoria informou que "desconhece a motivação do ato e estranha que a ocupação tenha ocorrido sem qualquer reivindicação prévia por parte dos manifestantes". "Nesse momento, a Administração Central avalia o quadro a fim de tomar as medidas cabíveis. Importante esclarecer que todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão funcionam normalmente."

Os estudantes divulgaram suas reivindicações em redes sociais. Eles afirmam que o corte anunciado pelo reitor afetará a contratação de professores, manutenção de prédios e, principalmente, a reposição de médicos e profissionais da área de saúde no hospital da universidade.

Em relação à moradia estudantil, conquistada após movimento dos estudantes nos anos 1980, os universitários dizem que há 20 anos existem problemas de superlotação, falta de camas e falta de manutenção da rede elétrica e de água. Os alunos também dizem que a permanência dos estudantes no local está sendo dificultada com mudanças de regras pela universidade.

Sobre as cotas sociais, eles reclamam principalmente da falta de cotas raciais na Unicamp, que seria a única grande universidade pública a não ter esse tipo de política de inclusão. A universidade tem sido palco constante de manifestações racistas, com pichações contra a presença de negros nas faculdades. Também há denúncias contra declarações de professores em salas de aula.

Os universitários dizem que os cortes de verbas são o início de um processo de precarização do ensino público e querem unificar sua manifestação a ocupações de outras universidades e  com os estudantes secundaristas.

"Queremos nos unificar com os estudantes da USP (Universidade de São Paulo), da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e os secundaristas das escolas estaduais e Etecs (Escolas Técnicas Estaduais) de São Paulo, bem como a todos os trabalhadores, contra os ataques das reitorias e do governo (Geraldo) Alckmin, que rouba merenda e manda sua polícia bater em estudantes que lutam, enquanto destrói a educação de todo o Estado", diz o manifesto publicado nas redes sociais.

Arrecadação. A Unicamp informou que o corte de R$ 40 milhões anunciado no dia 28 de abril foi resultado do baixo crescimento na arrecadação de impostos que são as principais fontes dos recursos repassados pelo governo estadual para as universidades paulistas. Esse valor poderá ser revisado em caso de recuperação da economia.

A universidade nega que haverá cortes nas áreas nas áreas de pesquisa e ensino, incluindo bolsas de estudo e apoio a estudantes. Também afirma que não haverá contingenciamento na área de saúde, principalmente no atendimento hospitalar.

A redução de despesas seria apenas na área administrativa e foi discutida com diretores das faculdades e das unidades de saúde da Unicamp. Sobre as reivindicações de ampliação e melhoria na moradia dos estudantes, a universidade não se pronunciou.

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