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Em novo ataque à Faculdade de Direito da USP, reitor critica 'paralisia interna'

Rodas usou publicação oficial da USP para defender projeto de infraestrutura 'mirabolante' para as Arcadas

Carlos Lordelo, Estadão.edu

28 Setembro 2011 | 13h50

A reitoria da USP voltou a criticar a direção da Faculdade de Direito do Largo São Francisco em boletim especial divulgado nesta terça-feira, 27, pela Assessoria de Imprensa. No comunicado, o reitor João Grandino Rodas (ex-diretor da faculdade) fala do Clube das Arcadas, da infraestrutura da São Francisco e retoma a discussão sobre doações milionárias para reformas de sala de aula que exigiam como contrapartida o batismo dos espaços acadêmicos com os nomes dos doadores.

 

Segundo a Assessoria de Imprensa da universidade, o boletim só foi publicado online, no site da USP. A edição especial tem quatro páginas e, nela, Rodas responde a nove questões sobre sua gestão à frente da faculdade, entre 2006 e 2009, e das iniciativas da atual administração da São Francisco, especialmente no que se refere a solicitações para realização de obras na unidade.

 

No início do boletim, Rodas diz que "não se atribui ao atual diretor da FD (Faculdade de Direito) a situação em que a unidade se encontra". Ele havia afirmado a mesma coisa em documento divulgado na semana passada, que teve algumas cópias impressas distribuídas nas Arcadas. Mas o professor Antonio Magalhães Gomes Filho, diretor da São Francisco, sentiu-se "pessoalmente atacado". "Foi uma agressão muito rude e totalmente descabida", afirmou Magalhães ao Estadão.edu na segunda-feira, 26.

 

Prossegue o reitor: "A culpa (da situação da unidade) cabe à exploração política dos assuntos domésticos da FD e ao afã de apequenar pessoas e opor membros de uma mesma instituição, jamais vista em tão alto grau. É doloroso observar que os 'cabeças' do movimento passam pela vida da FD (alguns já a deixaram, outros estão prestes a deixá-la, mas, com certeza, todos a deixarão um dia), transmitindo seu legado negativo de desconfiança do colega, de falta de iniciativa e de não realização".

 

Antes de responder às questões, Rodas afirma: "Podem ter desgostado ou ferido pessoas, mas a real prejudicada foi a Velha e Sempre Nova Academia, que lhes deu ensino gratuito ou emprego, além de lugar invejável na sociedade".

 

Clique aqui para baixar o boletim especial sobre a Faculdade de Direito.

 

TRECHOS

 

Sobre a reforma do anexo IX (que recebeu parte do acervo das bibliotecas)

 

"Os andares 5.º ao 9.º, de proprietário original diferente do restante do edifício, foram recebidos pela universidade em abril de 2010 e repassados à FD, com o compromisso de reforma. Ao invés de entendimentos nesse sentido, começou, na FD, período de ebulição política, de que a reitoria somente teve conhecimento por meio dos jornais e intimações do MP, da Prefeitura e da Justiça do Trabalho, em virtude de procedimentos intentados pela representação discente, pelo Centro Acadêmico XI de Agosto etc."

 

Sobre o batismo de salas com os nomes de doadores

 

"Não houve, de parte da direção da FD, qualquer contato com a reitoria, a Congregação não teve a fineza, ao analisar a questão do nome das salas, de convidar o antigo diretor e atual reitor da universidade, para se pronunciar nas sessões da Congregação que analisaram o assunto. Corredores poloneses aconteceram, apupando professores à entrada da Congregação etc, bem à moda do período do terror da Revolução Francesa."

 

Sobre a gestão do professor Magalhães

 

"Não contesto a possibilidade de a nova administração mudar ou adaptar planos da anterior. É inaceitável, entretanto, nada mudar oficialmente e, na prática, nada fazer, debitando, ano após ano, os problemas à administração anterior."

 

Sobre "divergências políticas" entre a reitoria e a direção das Arcadas

 

"É sintomático que a FD se situe, em 2010 e 2011, entre as unidades da USP que menos utilizaram seu próprio orçamento. Se ela não se deu ao trabalho de utilizar o próprio orçamento, que, inclusive, pode ser remanejado, teria feito esforço para conseguir verbas extras da universidade? Tal estado de coisas aponta para uma paralisia interna e não para discriminação dos órgãos centrais."

 

Sobre o Clube das Arcadas

 

"Somente conhecia o projeto originário, que não se revestia do gigantismo e do viés retro mencionado. Do projeto atual, somente tenho notícia por meio dos jornais, obviamente conhecimento episódico e nem sempre completo como possibilitam, via de regra, as notícias jornalísticas."

 

Sobre possível retaliação à Faculdade de Direito

 

"Tudo leva a crer que, mesmo após quase dois anos de finda, a diretoria pretérita (exercida pelo atual reitor) seria, qual nova Geni, da música de Chico Buarque, alvo de toda a frustração pelo tempo perdido."

 

* Atualizada às 19h para acréscimo de informações.

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