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Grevistas de 4 federais decidem boicotar Sisu

Decisão vale para UFMG, UFRJ, Unirio e UFF e visa a pressionar governo federal a negociar

Danielle Villela, Fábio Grellet e Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2015 | 18h32

Atualizada às 21h17

Em greve desde o fim de maio, servidores técnico-administrativos de quatro universidades federais anunciaram nesta terça-feira, 16, que não vão realizar as matrículas do segundo semestre do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O objetivo é pressionar o Ministério da Educação a negociar com a categoria. A matrícula deve ser feita nos dias 19, 22 e 23.

Entre as instituições que podem ficar sem fazer as matrículas estão as duas mais procuradas: Universidades Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ). A medida também foi anunciada na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e na Federal Fluminense (UFF).

O Sisu é o sistema informatizado do Ministério da Educação, por meio do qual as universidades públicas oferecem vagas para candidatos que se submeteram ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Os estudantes que fizeram o Enem em 2014, inscreveram-se no Sisu do segundo semestre de 2015 e foram aprovados precisam fazer a matrícula presencial na universidade onde pretendem estudar. Essa etapa é que está ameaçada com a decisão dos grevistas.

Mais procurada pelos estudantes (com 176.285 inscrições), a decisão dos servidores da UFMG afeta 2.717 aprovados na primeira chamada. Em nota, o sindicato informou que protesta principalmente contra o corte orçamentário que afetou sobretudo o hospital universitário - a instituição tem registrado falta de medicamentos e materiais básico para atendimento.

Na UFRJ, a decisão do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintufrj) afeta 3.731 estudantes. O sindicato, além da pauta nacional, também cobra regulamentação das 30 horas semanais de trabalho, política de combate ao assédio moral, paridade para todas as eleições institucionais, paridade de representação nos conselhos superiores e órgãos colegiados da UFRJ e a garantia do espaço de convivência previsto para a categoria no Plano Diretor da UFRJ 2020.

Na Unirio, os servidores em greve decidiram não emitir a lista de aprovados para a primeira chamada do Sisu. Como os professores não aderiram à paralisação, eles podem tentar fazer a matrícula, mas terão de se basear em uma lista do Ministério da Educação (MEC) que, segundo os técnicos, identifica os alunos apenas com dados básicos e há risco de fraude.

Pedro Rosa, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff), disse que a não realização da matrícula se deve aos problemas enfrentados pelos servidores: “Quem fecha a capacidade de atendimento público das universidades é o governo, com todos esses cortes de verba.”

Em nota, o MEC informou que, ao participarem do Sisu, as instituições têm de assegurar o direito do estudante à matrícula e disse que ainda não tem “informação” de que a greve possa afetar o processo. O ministério informou que, na paralisação de 2012, a UFRJ garantiu a matrícula dos alunos por meio de um sistema online, com comprovação documental posterior.

Greve. A paralisação dos técnicos administrativos afeta 48 instituições federais. A categoria reivindica reajuste de 27,3% no piso salarial. Também é contrária aos cortes nos orçamentos das universidades e à expansão da terceirização no serviço público.

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