Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Em assembleia, alunos e professores da PUC-SP decidem manter greve após posse de nova reitora

Paralisação deve se estender até o dia 12 de dezembro, quando o Conselho Universitário deve se reunir

Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

04 Dezembro 2012 | 00h37

Na noite desta segunda-feira, 3, professores e alunos da PUC-SP se organizaram em assembleias para discutir os próximos passos do movimento de greve após a tomada de posse da professora Anna Cintra, que na última sexta-feira, 30, assumiu o cargo de reitora da instituição. Os dois grupos deliberaram pela manutenção da paralisação pelo menos até o dia 12 de dezembro, quando deve ocorrer uma nova reunião do Conselho Universitário (Consun).

De acordo com João Batista Teixeira da Silva, professor de Letras e membro da diretoria da Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc), os docentes se mantém em caráter de assembleia permanete para a avaliação contínua da evolução do movimento e de possíveis negociações.

A comissão de comunicação dos estudantes deve se reunir na manhã desta terça-feira, 4, para a criação de uma carta endereçada à comunidade. Nela, o grupo deve expor o seu posicionamento frente ao diálogo defendido pela reitora Anna Cintra, que na última semana criou um email para "viabilizar e acelerar" as conversações junto à comunidade da universidade. De acordo com os estudantes, Anna Cintra foi chamada diversas vezes pelo movimento grevista para conversar e nunca atendeu a estes pedidos.

Acampa PUC

Desde o último domingo, 2, alguns estudantes da universidade estão acampando na instituição. De acordo com o estudante de Ciências Sociais Bruno Bortoletto, de 24 anos, a ocupação iniciou-se pela possibilidade de Anna Cintra retornar ao prédio. Na sexta-feira, quando assumiu o cargo, a reitora tentou acessar as instalações da universidade, mas foi impedida por alunos e professores que fizeram um cordão humano e não deixaram que ela passasse. "Agora, tornou-se também um ato simbólico, de reocupação dos espaços da PUC", afirma Bruno.

Segundo o estudante, são poucos os adeptos do acampamento, mas muitos estão se identificando com a ideia e devem aderir à ocupação, que deve se estender até o dia 12 pelo menos.

Conselho

As regras para a escolha do reitor na PUC-SP preveem eleição em que alunos, funcionários e professores votam. Uma lista tríplice segue para o cardeal, que tem a prerrogativa de selecionar um dos nomes. Tradicionalmente, o primeiro colocado é o escolhido. A nomeação de Anna, em 12 de novembro, abriu uma crise na universidade, com alegações de parte da comunidade acadêmica de que a decisão de d. Odilo feriu a “democracia”.

Na quarta-feira passada, 28, o Consun acatou recurso de estudantes e suspendeu temporariamente a validade da lista tríplice. Mas o cardeal pode ignorar a decisão do conselho e empossar a professora Anna. Assim, descartaria a possibilidade de nomear o professor Marcos Masetto como reitor interino até o dia 12 de dezembro, quando haverá nova reunião do Consun e será decidido o mérito do recurso, apresentado pelo Centro Acadêmico 22 de Agosto, dos alunos de Direito.

No recurso, os estudantes afirmam que a nomeação de Anna, mesmo legal, violou artigos do estatuto e do regimento geral da universidade, segundo os quais os funcionários e professores devem zelar pelo patrimônio moral da universidade. Os alunos lembram que Anna Cintra assumiu o compromisso durante um debate eleitoral de não aceitar a nomeação caso não fosse a mais votada. O representante da Fundasp pediu vistas do recurso e, como a posse da nova reitora era iminente, o conselho resolveu suspender os efeitos da lista tríplice. A decisão do Consun, no entanto, foi tomada como nula por d. Odilo.

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