SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

De janeiro a julho, USP tem 47 eventos não autorizados

O número de ocorrências, na maioria festas, é quase o dobro do total (25) registrado entre julho e dezembro de 2014

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2015 | 04h10

Atualizado às 6h57.

A Universidade de São Paulo (USP) registrou 47 eventos não autorizados, na maioria festas, no Câmpus Butantã, zona oeste da capital, entre janeiro e julho deste ano. Na semana passada, a reitoria oficializou a proibição de festas com comércio e uso de álcool dentro da Cidade Universitária, o que revoltou o movimento estudantil. 

O número de ocorrências é quase o dobro do total (25) registrado entre julho e dezembro de 2014. Nos últimos meses, a polêmica ganhou força na universidade após a morte de um jovem - durante evento no velódromo da USP - e as denúncias de estupros de alunas, entre 2011 e 2013, em festas da Faculdade de Medicina. 

Na sexta-feira, um dia após a publicação da norma, o Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE) e alguns centros acadêmicos fizeram festa de protesto contra a proibição. O evento reuniu 500 pessoas, segundo os organizadores. A USP informou que vai abrir uma investigação sobre o caso.

Em relação aos 47 eventos irregulares no primeiro semestre, dois motivaram abertura de sindicância - um que envolvia alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e o outro com alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Os processos ainda estão em andamento. 

Segundo a USP, antes da publicação da regra, não havia “dispositivo legal para a abertura de sindicância.” Isso ocorreu nos dois casos por envolverem “problemas mais graves”, não detalhados pela reitoria. Com a nova regulamentação, a USP só vai liberar eventos festivos que tenham “compatibilidade com a vida universitária”.

Para Gabriela Ferro, diretora do DCE da instituição, o número de festas no câmpus sempre foi grande. "É de onde vem o financiamento das entidades estudantis", afirma a aluna de Geografia, de 21 anos. Segundo ela, o veto não resolve problemas registrados nas festas, como os abusos sexuais. "Até agora, nenhum dos estupradores foi expulso, por exemplo. Essa proibição é uma política deliberada da reitoria e das direções para reprimir o movimento estudantil."

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