Eleição na Faculdade de Direito causa polêmica no Mackenzie

Grupo convocou protesto sob alegação de que regras só deixam um professor habilitado à direção

Thiago Mattos, Especial para o Estadão.edu,

06 Dezembro 2012 | 19h09

A Universidade Presbiteriana Mackenzie realiza nesta quinta-feira, 6, a eleição para o novo diretor da Faculdade de Direito. O edital da seleção, divulgado há cerca de um mês, está no centro de uma polêmica que envolve cinco candidatos da situação e um da oposição. O Centro Acadêmico João Mendes Jr. convocou uma manifestação para as 19h, no câmpus de Higienópolis, região central de São Paulo, para questionar o processo eleitoral.

“A reitoria está tentando interferir nas eleições e o reitor criou um edital que exclui a maioria dos candidatos”, diz o ex-presidente do CA Rodrigo Rangel. Para os manifestantes, as novas regras incluídas no edital ferem o estatuto da faculdade e privilegiam o único postulante que é vinculado à atual reitoria - segundo eles, o professor José Francisco Siqueira Neto, atual vice-diretor da unidade.

Para concorrer ao cargo, é necessário ter título de mestrado ou doutorado e ser professor adjunto ou titular do Mackenzie. O novo edital trouxe novas exigências: o candidato deve ter pelo menos cinco anos de experiência em gestão administrativa escolar, participar das atividades acadêmicas em período integral e não exercer carreira pública.

“A regra do jogo é lícita e juridicamente perfeita”, diz Siqueira Neto, alvo da manifestação desta noite. Ele questiona a revolta contra a sua candidatura. “O anormal seria a continuação no poder por dez anos de uma única pessoa. Isso sim é contrário ao estatuto”, completa, em referência aos sete anos que o atual diretor, Nuncio Theophilo Neto, ocupa o cargo. Nuncio não atendeu aos telefonemas da reportagem para comentar as declarações de seu vice-diretor.

O resultado deve ser divulgado ainda esta noite e cerca de cem pessoas podem votar, entre os quais juízes, desembargadores e membros do Ministério Público que integram a Congregação da faculdade. O CA reivindica que a apuração dos votos seja pública e que seja informado o número de votos depositado em cada candidato.

Procurada pelo Estadão.edu, a reitoria do Mackenzie disse em nota que foram estabelecidos "critérios mais rigorosos nos âmbitos do ensino, da pesquisa e da extensão, tripé que sustenta as atividades da instituição". As alterações valem agora para a candidatura de docentes ao cargo de diretor de todas as unidades.

"Os critérios estabelecidos pela reitoria diferem dos até então utilizados, pela maior explicitação de compromisso, dedicação e perfil acadêmico, com formação na área de atuação da unidade e experiência acadêmico-administrativa", afirma o texto. Segundo o Mackenzie, três processos eleitorais passaram por mudança este ano, mas só na Faculdade de Direito houve contestação.

A eleição resultará numa lista tríplice de candidatos mais votados para apresentação ao Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, mantenedor da universidade e responsável pela nomeação dos novos diretores. / COLABOROU CARLOS LORDELO

* Atualizada às 22h50

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