DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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‘Ele nunca teve contato com outras crianças’, diz mãe que aguarda vaga em creche

Analista de gestão disse que recebeu ligação da Prefeitura, mas oferta é longe de casa e precisaria bancar van escolar

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2017 | 03h00

A analista de gestão de serviços Ana Carolina Santos Pimentel, de 31 anos, aguarda há mais de um ano vaga para o filho entrar em uma creche. “Ele fica na casa da minha mãe, porque eu e meu marido trabalhamos. Mas isso é péssimo, porque ele nunca teve contato com outras crianças e só fica na televisão e no celular o dia todo”, reclama. 

Ana recebeu uma ligação da Prefeitura na última semana, com a oferta de uma vaga, mas disse que o equipamento ficava longe de sua casa e precisaria bancar uma van escolar. “Tem creche até na porta de casa, mas só conseguem dar vaga em um lugar extremamente longe e perigoso”, disse.

Depois de se separar do marido, a estudante Rafaela Honório Santiago da Silva, de 21 anos, precisou voltar para a casa da mãe, na Brasilândia, zona norte paulistana. Mas ainda não conseguiu transferir a filha, de 2 anos, para a creche na região da casa da mãe. “Eu até consegui a primeira vaga e minha filha entrou com seis meses na creche. Mas agora não dá para transferir. E, enquanto não me mudar, vou ter de ficar cuidando dela em casa, sem trabalhar. Preciso ter meu dinheiro, cuidar da minha vida”, reclama.

A irmã de Rafaela, Carla Daiane, de 23 anos, espera na fila da creche há nove meses por uma vaga para o filho de 2 anos. “Tive de pedir demissão do meu trabalho e hoje só meu marido trabalha”, conta. 

Para o advogado e conselheiro da Fundação Abrinq Rubens Naves, é importante que a Prefeitura fiscalize a qualidade dos novos equipamentos. “Criar vagas é um compromisso fundamental e dever da Prefeitura; porém, expansão sem qualidade impede formação digna dos cidadãos em ambiente que lhes propicie o florescimento de seus potenciais.”

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