Edtech, a estrela do momento

Fusão entre educação e tecnologia tem ganhado cada vez mais destaque internacional

Portal Porvir,

07 Agosto 2012 | 10h53

Softwares, redes sociais e plataformas online. Aplicativos, simuladores 3D, games educativos para celular, tablet, notebook. São tantas as novidades no mundo da educação e da tecnologia que, em inglês, esses dois temas já se aglutinaram em uma só palavra: edtech. Para acompanhar toda essa movimentação, uma mídia especializada vem se consolidando na web, com blogs como EdSurge e Edudemic, e os sites mais tradicionais de tecnologia, como o Techcrunch, vêm dando espaço cada vez mais privilegiado ao tema.

“Esse é o momento da educação”, afirma Betsy Corcoran, editora e fundadora do EdSurge, blog norte-americano que se tornou referência internacional na área. “Há dois anos, ficou claro para mim que edtech era uma área do empreendedorismo que estava fervilhando”, conta a jornalista. Hoje, o EdSurge é reconhecido internacionalmente por suas newsletters semanais, sempre com informações em formato de pílula. A editora não revela quantas são disparadas semanalmente, “mas elas vão para vários países”, garante.

Betsy, que fez carreira no jornalismo cobrindo as áreas de ciência e tecnologia, sempre esteve atenta à vanguarda da educação. Ainda em 1993, quando os computadores em escolas eram raros, ela escreveu um artigo na revista Fortune sobre o fato de as crianças gostarem mais de aprender em meios eletrônicos. Quase 20 anos depois, a jornalista considera que há um aumento na quantidade e na importância das matérias que escreve sobre educação e tecnologia.

Em entrevista exclusiva ao Porvir, a jornalista, que tem dois filhos na rede pública da Califórnia, disse esperar que muito esteja por acontecer. “Acho que ainda veremos muitas startups de edtech no mundo”, disse. Confira, a seguir, trechos da entrevista.

O que vem sendo debatido no universo edtech?

Ah, isso é uma grande questão. Existem vários temas importantes. Aqui vão três.

1. Personalização ou a capacidade de ajudar os estudantes para que eles conheçam suas paixões. Todo mundo aprende melhor e mais rápido quando está mergulhando em algo que considera fascinante.

2. Fazer coisas. No EdSurge nós somos fãs do Maker Movement [movimento que valoriza o aprendizado obtido com projetos que levam os alunos a colocarem as mãos na massa]. Nós aprendemos melhor quando fazemos e construímos coisas. Nós adoramos o fato de que ninguém fracassa ao fazer um projeto – você continua aprendendo até fazer do jeito certo.

3. Empoderamento dos professores. Adoramos ver professores se sentirem empoderados para contribuir com as empresas, para construir aplicativos e para ser integralmente participantes no ecossistema emergente de edtech.

Do início do EdSurge até agora, qual foi a notícia mais importante que vocês já publicaram?

Não tem um artigo que tenhamos escrito que mereça mais destaque – o que é muito mais relevante e fascinante é o aumento na quantidade e na importância das história envolvendo edtech. Quando nós começamos, um dos nossos cofundadores me falava para guardarmos algumas boas histórias para depois porque não tínhamos certeza se teríamos material para completar a próxima newsletter. Agora, as pessoas no dizem que a newsletter estava tão cheia de informações que elas voltam para lê-la novamente várias vezes ao longo da semana.

A educação virou um assunto popular?

Eu acredito que esse é o momento da educação. É uma das últimas indústrias que ainda precisam passar por mudanças disruptivas devido à tecnologia da internet. O mais importante, porém, é que a educação pode fazer uma diferença enorme na vida das pessoas. Eu acredito que muitas pessoas – mais do que nunca antes – vão achar que educação é realmente importante. Estamos vendo isso com o engajamento cada vez maior de “investidores-anjos”, que colocam suas fortunas pessoais à disposição da educação.

Como você vê o aumento no número de startups de educação no mundo?

Acho que ainda veremos muitas startups de edtech no mundo. Muitas culturas realmente valorizam a educação. Historicamente, as startups acabam sendo freadas por falta de investimento. Hoje em dia é preciso menos dinheiro para começar uma empresa.

 

Fonte: http://porvir.org/porpessoas/edtech-estrela-momento/20120806

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