'É uma possibilidade' professor do Mackenzie ser afastado, diz reitor

Corregedoria da universidade deve tomar decisão no começo da semana que vem

Cedê Silva, Estadão.edu

02 Setembro 2011 | 16h34

O reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Benedito Guimarães Aguiar Neto, disse nesta sexta-feira, 2, ao Estadão.edu, que a corregedoria da instituição apura o caso envolvendo o professor de Direito Paulo Marco Ferreira Lima, que ameaçou dar voz de prisão a uma aluna. Um dos resultados possíveis é o afastamento do professor. "Ele é recém-contratado e está em regime probatório", disse Aguiar Neto, ecoando nota divulgada pela reitoria na noite de quarta-feira.

"Os depoimentos dele e da aluna já foram tomados. Houve desentendimento em relação à metodologia e ele diz ter havido desrespeito, mas a aluna nega", disse o reitor. O próprio professor, também procurador de Justiça, confirmou ter ameaçado dar voz de prisão. 

O reitor diz que, se as acusações contra Paulo Marco forem verdadeiras, o comportamento foi "inadmissível" e "não pode ser tolerado". Para Aguiar Neto, dentro do Mackenzie "professor está como professor" e não pode usar prerrogativas de outros cargos.

Na quarta-feira, 31, a Corregedoria do Ministério Público Estadual instaurou procedimento para apurar o caso do procurador de Justiça. O prazo é de 90 dias.

Facebook

Em relação às publicações de Marco Antônio, irmão de Paulo Marco, no Facebook, o reitor disse que "ainda não são objeto de investigação", mas podem vir a sê-lo. Marco Antônio, que também é procurador e professor de Direito no Mackenzie, postou na tarde de terça-feira, 30, em letras maiúsculas, que a aluna T. teceu "considerações raciais" sobre Paulo Marco, "chamando-o na frente de sua filha de 'negro sujo' e afirmando que 'preto não pode dar aula no Mackenzie' e que 'preto não pode ter poder'".

T., de 31 anos, bolsista integral do ProUni, disse que "é uma grande calúnia o que aconteceu". Ela nega ter ofendido o professor. Em nota, o centro acadêmico da Faculdade de Direito do Mackenzie afirmou "não haver até o momento qualquer testemunha ocular que afirme a acusação feita pelo professor Marco Antônio Ferreira Lima”. Em entrevista concedida na terça-feira, 30, Paulo Marco não mencionou ter sido alvo de racismo. Posteriormente, disse ao Estadão.edu: "guardo a natureza das ofensas para mim". Seu irmão Marco Antônio deletou a página no Facebook nesta semana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.