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Docentes cobram definição sobre USP Leste

Paulo Saldaña e Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

07 Junho 2014 | 03h 00

Escola não colocou disciplinas do segundo semestre no sistema. Departamento recomenda não abrir vagas de Engenharia em 2015

SÃO PAULO - Professores da Universidade de São Paulo (USP) pressionam a reitoria por uma definição de onde ocorrerão as aulas do segundo semestre do câmpus Leste, interditado desde janeiro. A Comissão de Graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each), que faz parte da unidade, decidiu não cadastrar as disciplinas do próximo período sem que haja uma definição. Um departamento da Politécnica recomendou à direção da escola que o processo seletivo do curso de Engenharia da USP Leste não seja aberto no próximo ano.

A universidade aposta na liberação da área antes do início do segundo semestre. O contrato com a Unicid, faculdade particular que abrigou parte das atividades, termina em julho. Também termina o acordo com o Centro Paula Souza, que empresta salas da Faculdade de Tecnologia (Fatec) Tatuapé, na zona leste. A Justiça decidiu pela interdição por causa dos problemas ambientais da unidade.

Câmpus Leste da USP está interditado desde janeiro
Câmpus Leste da USP está interditado desde janeiro

No caso da Each, se as disciplinas não forem para o sistema, os alunos não poderão se matricular. A unidade precisava registrar no sistema a oferta de matérias até 25 de maio. A Comissão de Graduação da Escola já discutiu o adiamento do segundo semestre para 2015, mas não houve essa decisão.

Na Poli, que passou a oferecer na USP Leste o curso de Engenharia da Computação - ênfase em Sistemas Corporativos - a partir deste ano, a dúvida envolve não só questões de infraestrutura, mas também a disponibilidade de professores. O curso é vinculado ao Departamento de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais, que entregou recomendação à direção sobre a não abertura de processo seletivo.

“O não provimento dos requisitos (recursos humanos e infraestrutura física) impede que uma nova turma seja levada a cabo com padrão de qualidade e excelência”, diz o documento, ao qual o Estado teve acesso. “Este conselho recomenda que não se abra o processo de ingresso no próximo vestibular.” 

Cargos. Por causa da interdição da USP Leste, as aulas do curso têm ocorrido na Cidade Universitária, na zona oeste. O diretor da Poli, José Roberto Piqueira, afirma que o comunicado expõe preocupação do corpo docente, mas descarta qualquer possibilidade de não haver vestibular. “O departamento está muito preocupado com a possibilidade de ter um curso na zona leste não compatível com a qualidade dos cursos habituais da Poli”, diz. “Porque há perspectiva que alguns cargos não sejam atendidos e a infraestrutura não exista momentaneamente.” Por causa da crise financeira, a reitoria suspendeu a distribuição de 500 cargos.

Para que não houvesse abertura de vagas, a decisão teria de passar pela Congregação da Poli e pelo Conselho Universitário. A reitoria informou que, para o próximo vestibular, não daria tempo de passar por todas as instâncias. A assessoria de imprensa da USP afirmou que todas as medidas solicitadas pelo Ministério Público Estadual para a descontaminação do terreno estão sendo tomadas.