Dobra nº de jovens na universidade

Taxa saltou de 6,9% para 13,9% de 1998 a 2008; ProUni e expansão das instituições são principais fatores

Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2009 | 11h20

Dobrou no Brasil a proporção de jovens de 18 a 24 anos que cursam uma universidade. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, divulgada na sexta-feira, a taxa passou de 6,9% para 13,9% entre 1998 e 2008. O índice de brasileiros que frequentam uma instituição de ensino superior (independentemente da idade), porém, é de 30%, segundo números da Unesco.   A boa notícia – que representa um salto para padrões brasileiros, mas ainda deixa o País distante das nações desenvolvidas – coincide com um período de expansão das instituições de ensino superior particulares no País e a criação do Programa Universidade Para Todos (ProUni), que dá milhares de bolsas por ano a alunos de escolas públicas em universidades privadas.   Foi um salto grande", afirmou o pesquisador Cláudio Moura e Castro, que comentou números da pesquisa sobre educação a pedido do Estado. "Não dá para ir mais rápido."   Segundo ele, no Brasil, o dado que não leva em conta a idade do estudante (chamado de frequência bruta) é mais importante do que o que só considera os alunos em idade e série adequadas (frequência líquida). Isso porque enquanto o segundo indicador mostra a eficiência do sistema educacional, o primeiro mede o resultado. "Para o mercado é importante que a pessoa se forme, independente da idade", explicou o pesquisador, destacando que, no Brasil, como a educação é deficiente, ainda há um considerável atraso escolar. "As pessoas terminam o ensino médio mais tarde, vão trabalhar antes e entram para a universidade depois."   ENSINO MÉDIO   Também houve expansão no ensino médio. A taxa foi de 76,5%, em 2008, para 84,1%, em 2008. Desse total, 50,6% dos estudantes estão na série adequada à idade, o que também representa um progresso – em 1998, o índice era de 30,4%. Segundo o IBGE, se esse ritmo for mantido, o País chegará a 2018 com 70,8% dos estudantes com idade adequada no ensino médio, ainda abaixo dos países desenvolvidos (em torno de 90%).   "O ensino médio é muito ruim", disse Moura e Castro. "É muito chato, muito abstrato. Se a escola for boa é voltado para o vestibular e se for ruim, o currículo do Ministério da Educação não diz o que fazer."   TEMPO DE ESTUDO   O porcentual de jovens de 18 a 24 anos com pelo menos 11 anos de estudo subiu de 18,1%, em 1998, para 36,8%, no ano passado. O indicador, apesar de baixo, também dobrou. Em 2008, 45,3% das pessoas com 15 anos ou mais tinham menos de oito anos de estudo. Nessa mesma faixa etária, 21% têm menos de quatro anos de estudo e, por isso, são considerados analfabetos funcionais (o critério que define o analfabetismo funcional é o número de anos de estudo).   A evolução, porém, parece lenta. Em 2008, a média de anos de estudo na população com 15 anos ou mais era de 7,4%. No Sudeste, o índice chegava a 8,1%, mas no Nordeste estava em 6,2. Na faixa acima de 25 anos, o número de anos de estudo no período analisado "não cresceu um ano completo", diz a Síntese do IBGE.   Na escala de rendimentos, o melhor resultado foi obtido entre os 20% dos brasileiros que mais têm dinheiro – o tempo médio de estudo chegou a 10,3 anos. Por outro lado, nesse mesmo grupo, só 21,5% tinham o ensino médio completo.   O levantamento do IBGE também apontou acentuada diferença no número de anos de estudo entre os brasileiros que moram na cidade e no campo. De acordo com a sondagem, em 2008, 4,6% dos moradores da área rural e 7,9% dos da área urbana tinham estudado 15 anos ou mais. Na comparação regional também transparece a desigualdade. No Sudeste, no ano passado a média já chegava a 8,1 anos (em 2002, eram 7,2), enquanto no Nordeste era de apenas 6,2 anos (em 2002, 5,1).   O estudo do IBGE mostra ainda a melhoria da média de anos de estudo dos mais pobres, a partir da análise da sociedade por quintos de renda. Por essa metodologia, a sociedade foi dividida em cinco grupos de 20%, de acordo com sua renda familiar per capita, dos mais pobres para os mais ricos.   Em 1998, o grupo mais pobre tinha, em média, 2,6 anos de estudo. Em 2003, esse número chegou a 3,4 e em 2008, a 4,3. No segundo quinto mais pobre, a evolução foi de 3,4 (1998), 4,4 (2003) e 5,4 (2008). Já no quinto mais rico da população brasileira, a evolução dos anos de estudo passou de 9,5 (1998), para 9,8 (2003) e no ano passado chegou a 103 anos.   Outro indicador que mostra avanço é o que aponta o número de crianças e jovens entre 7 e 14 anos na escola. A taxa, que há dez anos era de 94,7%, no ano passado chegou a 97,9%.

Mais conteúdo sobre:
pontoedu prouni IBGE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.