Beto Martins/Futura Press
Beto Martins/Futura Press

Diretor da USP Leste é afastado após autuação

Professor deve deixar o cargo enquanto responsabilidades sobre a situação ambiental são apuradas; haverá nova eleição em um mês

Paulo Saldaña,

11 Setembro 2013 | 23h38

Reunião aberta da Congregação da USP Leste decidiu nesta quarta-feira, 11, pelo afastamento do diretor da unidade, José Jorge Boueri Filho. O argumento é que ele não pode ficar no cargo enquanto se apuram as responsabilidades sobre a situação ambiental do câmpus. A unidade não cumpriu exigências de despoluição do solo, que tem metano, gás inflamável, e foi autuada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

A infração e a colocação de placas no câmpus – que informavam a interdição de uma área por haver "contaminantes com riscos à saúde" – fizeram com que os professores decretassem greve na última terça-feira. As informações foram reveladas pelo estadão.com.br. Alunos ficaram assustados e fotos das placas tomaram as redes sociais.

Ficou decidido nesta quarta-feira que uma nova eleição para diretor será realizada em um mês e, por enquanto, o diretor interino é o professor Luiz Silveira Menna Barreto. A decisão pelo afastamento precisa ser oficializada em novo encontro da congregação, na semana que vem. Isso porque a reunião foi aberta ao público, o que não é previsto no regulamento. Participaram do encontro 400 pessoas. Alunos e funcionários aderiram à greve.

O diretor foi cobrado porque foi responsável pelo despejo de terra de origem desconhecida no campo central, em 2011. Exames técnicos mostraram que a terra era contaminada. A remoção do solo é uma das ações não atendidas pela USP.

Segundo a direção da unidade, as exigências ambientais deveriam ser realizadas pela Superintendência de Espaço Físico (SEF), ligada à reitoria da USP e que instalou as placas.

A área ocupada pela unidade, que está na várzea do Rio Tietê, tem solo poluído. Entre as exigências da Cetesb, há a instalação de sistema de extração de gases dos prédios, além de avaliações de risco à saúde. A Cetesb deu 60 dias para a USP atender à advertência.

Ato. Alunos promoveram uma manifestação nesta quarta no câmpus, usando máscaras. Aluna de Ciências da Natureza, Lorena Nakashima, de 25 anos, criticou o diretor. "Ele deveria saber da situação do câmpus, isso ocorre há tantos anos", disse. O diretor foi procurado, mas não atendeu aos pedidos de entrevista. A Cetesb informou que não considera o local sob risco à saúde. Os professores se encontrarão hoje com integrantes do órgão.

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