Dificuldade dos bolsistas para aprender outra língua tem sido o 'maior desafio' do Ciência sem Fronteiras

Afirmação é do ministro da Educação, Aloizio Mercadante; programa já deu 14,6 mil bolsas

Agência Brasil,

04 Abril 2012 | 21h44

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, recomendou nesta quarta-feira, 4, aos estudantes que pretendem pleitear bolsas de estudo fora do País pelo programa Ciências sem Fronteiras (CsF) que se adiantem no estudo da língua estrangeira para facilitar o processo de ingresso nas instituições internacionais.

 

Segundo Mercadante, a dificuldade dos bolsistas para aprender outra língua, principalmente o inglês, tem sido o “maior desafio” da execução do programa. O CsF já concedeu 14,6 mil bolsas, sendo que desse total 3,7 mil alunos já estão estudando fora do País, e o restante deve viajar a partir de agosto.

 

“As dificuldades operacionais são muito pequenas e absolutamente marginais. O maior desafio é a proficiência em inglês”, disse Mercadante. O estudante selecionado para o programa precisa apresentar uma pontuação mínima no Test of English as a Foreing Language (Toefl), prova internacional que certifica o nível de proficiência em inglês.

 

De acordo com o ministro, o estudante selecionado para o programa pode ficar por seis meses no país estudando a língua antes do início do curso, mas se não obtiver a pontuação mínima não é aceito pela instituição estrangeira.

 

Mercadante disse que o Ministério da Educação está mobilizando as universidades federais e outros órgãos, como embaixadas, para aumentar a oferta de cursos de inglês para universitários. A recomendação do ministro é que logo ao entrar no ensino superior o estudante inicie o estudo da língua estrangeira. “Quem está entrando este ano na universidade já vai estudando a língua estrangeira para que no próximo ano possa se candidatar e fazer o teste de proficiência. Não tem que ficar esperando, tem que tomar a iniciativa de se habilitar.”

 

Atualmente está no ar o terceiro edital do CsF, com 2.965 bolsas do tipo graduação sanduíche, quando o estudante faz a metade do curso no exterior e o restante no País, na Austrália, Bélgica, Coreia, Espanha, Holanda, no Canadá e em Portugal.

 

Os cursos priorizados pelo programa são as Engenharias e os da área de ciência e tecnologia. As inscrições se encerram em 30 de abril e podem ser feitas no site do programa.

 

O próximo edital que, segundo o ministro, deverá ser lançado em maio, irá incluir oportunidades na Alemanha, França, Itália, no Reino Unido, Canadá e nos Estados Unidos. O governo brasileiro também negocia parcerias com a Irlanda, Noruega, Índia e Finlândia.

 

De acordo com o ministro, há também uma demanda forte de pesquisadores e professores estrangeiros interessados em trabalhar no Brasil. Dois programas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que vão oferecer bolsas para esse público tiveram inscrições acima da expectativa, na avaliação de Mercadante.

 

Ele acredita que o interesse no Brasil decorre da projeção internacional que o País ganhou nos últimos anos e do cenário econômico mundial.

 

“Por causa da crise está havendo um corte de orçamento muito forte na área da pesquisa, ciência e academia, na Europa e nos Estados Unidos. Pela primeira vez em muitos anos você tem desemprego acadêmico em uma área que sempre foi muito preservada.”

Mais conteúdo sobre:
Ciência Sem Fronteiras Idiomas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.