Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Desvincular Hospital Universitário não acaba com gastos com pessoal

Pagamento de servidores, 85% do custo total do hospital, ainda continuaria a cargo da Universidade de São Paulo

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Mesmo que o Conselho Universitário aprove a transferência do Hospital Universitário (HU) à Secretaria Estadual da Saúde, a maior parte dos gastos seria descontada dos cofres da USP. O pagamento de salários dos servidores ativos e inativos da unidade, que correspondeu a R$ 270,9 milhões em 2013 (85% do custo total), continuaria sob responsabilidade da USP e apenas novas contratações deixariam de ser custeadas.

A economia real que a desvinculação do Hospital Universitário daria à universidade em curto prazo é de R$ 47,6 milhões, que equivale a tudo que é gasto pelo equipamento além do pagamento dos servidores, como compra de materiais. Em 2013, o Hospital Universitário consumiu R$ 318,5 milhões, ou 6,16% do total gasto pela universidade. Todos os dados foram retirados da tabela de execução orçamentária divulgada pela instituição na internet.

O cálculo também pode ser feito em relação ao Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), que já teve a desvinculação aprovada pelo CO. Neste caso, o pagamento de pessoal é menor: custou R$ R$ 70,3 milhões à USP no ano passado, valor que não foi repassado ao Estado. A desvinculação do HRAC renderia cerca de R$ 9,3 milhões, que corresponde a 11,7% do que custou para a USP em 2013. 

A expectativa é de que a medida reduza os gastos da universidade a longo prazo, na medida em que os servidores se aposentem e os novos funcionários sejam contratados já pela secretaria de Saúde. Deixar de custear as demandas de infraestrutura também seria um alívio às contas. A USP não forneceu detalhes sobre o processo, que ainda está sendo debatido. Reunião do CO para definir a transferência do hospital ocorrerá nos próximos dias.

Entre os pacientes, há dúvidas sobre a desvinculação. A aposentada Maria Claudete da Silva Souza, de 59 anos, por exemplo, critica a medida. “Deus me livre. Se for para a mão do governo vai piorar. Aqui é um bom hospital”, dizia na sexta-feira, enquanto aguardava a filha grávida ser atendida.

Outra moradora que teme mudanças no hospital é a aposentada Luzia de Souza, de 62 anos. “Fizemos um abaixo-assinado contra.” Já o motorista Luiz Carlos Pereira, de 64 anos, usa o HU há 20 anos e teme piora. “A gente fica inseguro.”

A desvinculação é uma das propostas feitas pelo reitor Marco Antonio Zago como medida para conter a crise financeira da universidade, que gasta cerca de R$ 1 bilhão a mais do que recebe do repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A alternativa, no entanto, não foi bem recebida pelo governador Geraldo Alckmin, que afirmou que o Estado “não tem interesse” em assumir o hospital. 

Economia. Outras medidas têm sido tomadas ao longo do ano pela USP para melhorar a situação financeira da instituição. O Conselho Universitário da instituição decidiu, em orçamento aprovado neste ano, reduzir a dotação para outros custeios e investimentos em 29,4% - ou seja, R$ 577 milhões. Houve corte para as unidades de ensino, institutos especializados, museus e prefeituras, de 35% nos gastos. Os hospitais sofreram diminuição de 10%. Há ainda previsão de reduzir custos com órgãos de apoio (28,5% ) e de serviço (52,8%). A USP ainda estuda a criação de uma controladoria própria. 

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