Crise econômica muda currículos dos MBAs

Ética do mercado e gestão de riscos nos negócios são disciplinas em alta

Guilherme Soares Dias e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2014 | 12h51

A recessão econômica nos Estados Unidos e na Europa, iniciada em 2008, obrigou as escolas de MBA a adaptarem seus currículos. À medida que a gestão mais cuidadosa dos riscos e a exigência de analisar cenários adversos passaram a fazer parte da rotina dos executivos, esses temas logo migraram também para as salas de aula. A habilidade de tomar decisões rapidamente é outro tópico que ganhou mais destaque.

Em Harvard, por exemplo, há uma disciplina que discute exclusivamente economia internacional e negócios dos governos. "A ideia é ter uma visão geral do que levou à crise de 2008, as medidas tomadas e o que se aprendeu com esse momento para evitar uma nova", relata o estudante de MBA de Harvard Filipe Oliveira, de 26 anos.

Oliveira afirma ainda que nas matérias de finanças o assunto é discutido por meio de cases. "Debatemos as responsabilidades dos gestores e das pessoas dos conselhos de empresas para evitar crises", ressalta. Para ele, outra preocupação da universidade foi aumentar a internacionalização. "Eles perceberam que não adianta só focar o ensino na economia dos Estados Unidos. É preciso conhecer e contribuir com os países em desenvolvimento", avalia.

‘Fora da caixa’. Segundo uma das diretoras da Associação Nacional de MBA (Anamba), Karla Alcides, a criatividade se tornou ainda mais valorizada pelo mercado e pelas bancas recrutadoras das universidades. "Há grande preocupação de pensar fora da caixa, de inovar nas situações difíceis que antes eram menos comuns", afirma.

Para o professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Túlio Zanini, outra mudança foi incrementar a formação dos profissionais além da bagagem técnica. "Nas épocas de crise, em que há comportamentos oportunistas e problemas de confiança entre os diversos atores do mercado, as escolas perceberam a necessidade de disciplinas que tratem das questões éticas e morais do trabalho."

Nos últimos anos, segundo ele, outros fatores passaram a ser levados em conta na gestão, como a cultura da empresa e do local onde está instalada, o que torna a tarefa dos executivos mais complexa. "São pontos intangíveis que fazem diferença no resultado final", diz. O uso de mídias digitais a favor dos negócios, na visão dos especialistas, é mais um tema a ser aperfeiçoado nos currículos dos MBAs.

Mais conteúdo sobre:
currículos de mbas escolas de MBAs

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.