‘Cota deve existir pelo lado social e econômico; entrada é por mérito’

'A USP estava estabilizada em torno de 7 mil vagas. Fizemos um estudo para elevar esse número para 10 mil', diz Adolpho José Melfi

Pablo Pereira, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2014 | 03h00

O geólogo Adolpho José Melfi apostou no projeto de crescimento do número de alunos e na expansão territorial durante sua gestão. Aos 77 anos, é defensor da meritocracia e contra a adoção de cotas raciais. Com doutorado em Geociências, Melfi também foi pró-reitor de pós-graduação e vice-reitor.

 

O senhor foi reitor no período da criação da USP Leste. Como foi a experiência de expansão?

A USP estava estabilizada em torno de 7 mil vagas. Fizemos um estudo para elevar esse número para 10 mil. A maior expansão foi com a USP Leste, mas tivemos também ampliação com o câmpus de São Carlos. Houve expansão geral, com novos cursos. Sobre a zona leste, foi uma experiência nova, quando tentamos criar uma escola diferente. Acho que foi uma boa experiência. Depois, tivemos alguns problemas. Houve falta de apoio, não criaram os prédios previstos. Mas, do ponto de vista do ensino, foi um sucesso.

 

Mas o senhor, recentemente, recomendou uma redução de vagas lá. Por quê?

Foi feito estudo por uma comissão, da qual eu fiz parte, e vimos que alguns cursos, por exemplo, o de Ciências da Natureza, tinha número de vagas muito grande, 120, mas que atraía relativamente pouco no vestibular. Daria para concentrar num período e ter participação mais efetiva de professores. Houve sugestão. Aquilo foi utilização política.

 

Houve manipulação?

Houve sim. Aquilo criou uma rebelião lá dentro quando a comissão era apenas para indicar caminhos. A decisão seria da Congregação. Isso criou um problema principalmente na área de saúde. Eu acho que Obstetrícia é importante, mas deveria atuar dentro da Enfermagem. Não foi pedido que o curso fechasse.

 

O sr. continua defendendo uma política de expansão?

Acho que hoje a USP atingiu um número bastante razoável. Eu não pensaria em fazer expansão fora dos câmpus que já existem. Nós criamos em São Carlos o curso de Engenharia Aeronáutica, Engenharia de Computação, e também cursos em Ribeirão Preto. A única expansão fora dos câmpus existentes foi a de Lorena.

 

O senhor era contra as cotas raciais. Mantém essa posição?

Sim. Naquela época a gente defendia que poderiam existir cotas, mas que deveriam ser mais do ponto de vista econômico e social. Hoje a USP caminha nesse sentido. Mas acho que, em princípio, a entrada deve ser por mérito.

 

A USP deve se dirigir mais para formação dos jovens para o mercado de trabalho ou mais para a massa crítica?

As duas vertentes são importantes.

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