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Copa do Mundo impulsiona MBAs em esporte após 'oportunidades perdidas'

Guilherme Soares Dias, especial para o Estado - Estadão.edu

24 Junho 2014 | 03h 00

Segundo coordenadora de núcleo de Marketing Esportivo da ESPM, há 300 profissionais com formação e mercado demanda 4 mil

No ano da Copa do Mundo no Brasil, os MBAs em gestão de esporte atingiram a maioridade no País. Em 1997 surgiu o primeiro curso na área e, desde então, instituições como Fundação Getúlio Vargas (FGV), Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Ibmec, Trevisan e Uninove passaram a oferecer suas modalidades. Profissionais da área destacam a necessidade de especialização e afirmam que a Copa abriu novas portas.

Além de fazer crescer o interesse pelos cursos nos últimos anos, o Mundial pautou novas disciplinas nos MBAs, como Gestão de Arenas e Captação de Recursos, que surgiram na esteira da construção dos estádios, que precisarão de profissionais para torná-los sustentáveis economicamente.

A Copa também acentuou as oportunidades perdidas por causa da falta de profissional com formação na área. “Atualmente, há cerca de 300 pessoas formadas e trabalhando, e o mercado tem espaço para cerca de 4 mil profissionais”, afirma a coordenadora do núcleo de estudo em Marketing Esportivo da ESPM, Clarisse Setyon.

“Além da Copa, há espaço para gente bem preparada. Todo atleta tem de gerenciar sua carreira, assim como os clubes. É um mercado carente, e este é o melhor momento para a formação”, diz. 

O coordenador do curso de MBA em Gestão, Marketing e Direito no Esporte da FGV, Pedro Trengrouse, reforça a necessidade de profissionalização entre as pessoas que trabalham com esporte.

“A área movimenta muita gente. Há diversificação da oferta e o interesse é cada vez maior. A Copa do Mundo e a Olimpíada aquecem muito o setor, mas essa é uma indústria consolidada, que vem crescendo e precisa de profissionais qualificados”, defende.

Trengrouse ressalta que em quatro anos o futebol brasileiro movimenta mais recursos que a Copa do Mundo.

“No dia a dia há necessidade de melhorar a capacitação dos profissionais envolvidos no esporte brasileiro”, afirma.

O curso que ele coordena é realizado em parceria com o Centro Internacional de Estudo do Esporte, financiado pela Fifa desde 2011 e que está na quinta turma. O MBA oferece anualmente cem vagas e recebe cerca de mil candidatos para a seleção.

Robson Fernandjes/Estadão
ROBS0964 SÃO PAULO - SP - 03/06/2014 - METROPOLE - PONTO EDU - MBA DE ESPORTE - Cristiane Ferreira Spina, trabalha na aerea de marketing e faz MBSA de Esporte. FOTO ROBSON FERNANDJES/ESTADÃO

Oportunidade. De acordo com Clarisse Setyon, da ESPM, o MBA é uma oportunidade de mercado para que o profissional possa entrar na área ou aprimore o trabalho que já desenvolve.

“Ele é procurado por pessoas da área de comunicação, administração e educação física, mas também por advogados, médicos, veterinários e engenheiros”, cita.

Foi o que fez a executiva de contas da 2MB, Cristiane Ferreira Spina, de 30 anos, que terminou o MBA em Marketing Esportivo da ESPM no ano passado. Jornalista, ela chegou a trabalhar em programas esportivos na televisão e buscou especialização para se aprimorar na área.

“Queria abrir meu leque de trabalho. Há poucas pessoas formadas nessa área, e a especialização era uma oportunidade de me destacar.”

Depois do MBA, Cristiane passou a atuar em Marketing. “Apesar de ser direcionado para o esporte, o curso me ajudou a entender a área, atender cliente, fazer venda e criação. Ainda quero atuar na área de esporte”, diz.

‘Capitania hereditária’. A área de marketing esportivo é considerada fechada pela coordenadora do núcleo de marketing esportivo da ESPM. “Era uma ‘capitania hereditária’, difícil de entrar, mas está mudando por exigência dos patrocinadores. Mas ainda é preciso estar na hora e no lugar certos, com as pessoas certas”, afirma Clarisse.

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