ISABELA PALHARES/ESTADÃO
ISABELA PALHARES/ESTADÃO

Contra reorganização, alunos ocupam escola estadual em Pinheiros

Alunos decidiram em assembleia permanecer no prédio; unidade é uma das 754 que vão ter o fechamento de um dos ciclos

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2015 | 13h06

Atualizado às 23h42

SÃO PAULO - Um grupo de cerca de 150 alunos ocupa a Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, nesta terça-feira, 10. Eles são contra a reorganização escolar proposta pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), que pretende separar os colégios por etapas de ensino e já anunciou o fechamento de 94 escolas em todo o Estado. Após 12 horas de ocupação, os estudantes decidiram, em assembleia, permanecer na escola. Um grupo de manifestantes montou barracas do lado de fora da escola, em apoio aos que estão na ocupação. 

Por volta das 17 horas, houve confronto dos alunos com a Polícia Militar, depois que a PM tentou deter duas estudantes de 17 e 18 anos que saíram do prédio e qualificá-las como autoras da ocupação. Outros alunos tentaram impedir que a polícia as levasse para a delegacia. As jovens foram liberadas, após tumulto na frente da escola ocupada. 

O advogado Ariel de Castro, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), tenta entrar na escola para negociar com os estudantes. Representantes da Apeoesp, principal sindicato dos professores da rede estadual, também tentam entrar no prédio para conversar com os alunos, levar água e comida para eles. A água do prédio foi cortada para forçar a saída dos estudantes.

Roberto Teixeira Miranda, coronel da PM, disse contar com o bom senso dos alunos para a liberação do prédio. Segundo ele, só depois que a polícia entrar no prédio será possível determinar se os alunos cometeram algum crime, como dano ao patrimônio público. O comandante não informou se a polícia entrará no prédio enquanto os estudantes estiverem lá.

A unidade ocupada é uma das 754 que vão ter o fechamento de um dos ciclos. A unidade, a partir do próximo ano, não terá mais ensino fundamental. Os estudantes ocuparam a escola às 6 horas e impediram a entrada de professores e funcionários. No meio da tarde, duas pistas da rua da escola foram bloqueadas e a polícia enviou reforço para tentar desbloquear uma das faixas. 

A Polícia Militar cercou a portaria da escola e impedia a entrada de novos estudantes na unidade. Os pais de alunos acompanharam do lado de fora da escola a ocupação, apreensivos com a presença da PM.

Marcia Balades, de 54 anos, é mãe de um aluna de 18 anos da escola. "Eu apoio e acho importante, mas tenho medo da atuação da polícia."

A Polícia Militar chegou a encaminhar um ônibus para levar todos os estudantes que ocupam a escola para a delegacia. Na chegada do veículo, houve confusão entre os PMs e os jovens que protestam do lado de fora da escola. 

Rosangela Aparecida Valim, dirigente de ensino da região centro-oeste, disse que a ocupação da Escola Fernão Dias Paes é arbitrária. Segundo ela, supervisores da diretoria de ensino tentavam negociar a saída dos estudantes desde o início da manhã. 

"Os alunos e professores estavam chegando na escola para as aulas, mas foram impedidos de entrar por um grupo de 40 pessoas, todos com uniforme da escola, mas nem todos são alunos da unidade", disse. "Vivemos em um Estado democrático, é arbitrário que um grupo tome conta de um prédio público e impeça o seu funcionamento."

Ela disse que foi feito um boletim de ocorrência de invasão e dano ao patrimônio público.

Desistência. Por causa da preocupação dos pais com a presença da Polícia Militar em frente à escola, vários alunos deixaram o local no início da tarde. Juliana Oliveira, de 41 anos,  professora da rede estadual e mãe de uma aluna de 15 anos da escola, disse que teve medo da violência policial.

"Eu acho que os alunos estão certos. Eles não estão brigando por eles, mas por uma educação de qualidade e contra uma decisão (a reorganização escolar), que aconteceu de cima para baixo, sem consultar alunos e professores", afirmou Juliana. "O que tenho medo é da atuação dos policiais, porque a resposta foi completamente desproporcional ao ato dos alunos. Os policiais estão armados contra alunos." 

Diadema. A Secretaria da Educação do Estado também confirmou a ocupação da Escola Estadual Diadema, no centro da cidade do ABC paulista. Um grupo de estudantes ocupou o prédio na noite desta segunda-feira, 9.

Julia Helena Oliveira, de 14 anos, disse que só saiu a pedido da mãe. "Por mim, eu ficaria, dormiria aqui até conseguirmos que eles voltem na decisão."

Roseneide Pereira foi buscar o filho de 14 anos e disse que era contra o protesto. "A gente não tem que opinar, tem que aceitar. Se no ano que vem o ensino estiver muito ruim, eu vou colocá-lo em outra escola, ponho na rede particular."

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