Conselho Universitário decidirá sobre abono a servidores da USP

Reunião entre Cruesp e Fórum das Seis, que representa docentes e funcionários, terminou sem acordo; paralisação continua

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2014 | 21h30

SÃO PAULO - Terminou sem acordo nesta terça-feira, 9, a reunião entre o Conselho de Reitores das três universidades estaduais (Cruesp) e o Fórum das Seis - entidade que representa os sindicatos de funcionários e professores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A decisão sobre o pagamento de um abono de 28,6% aos servidores, que poderia pôr fim à greve, foi delegada para que cada instituição decida isoladamente, ao contrário do que esperavam os grevistas. 

A paralisação chegou nesta terça-feira a 106 dias de duração e já é uma das maiores do ensino superior público do Estado de São Paulo. 

Com a decisão, cada uma das instituições deverá marcar uma data diferente para resolver o impasse. A USP levará a discussão ao Conselho Universitário no dia 16 deste mês. A Unesp fará reunião na manhã desta quarta. A Unicamp já havia cedido um abono aos funcionários, mas pode decidir por aumentar o valor, que era de 21%, para o reivindicado. 

O reajuste salarial de 5,2% foi mantido e será pago em duas etapas de 2,57% cada - a primeira no mês de setembro (com depósito em outubro) e a segunda em dezembro (com pagamento em janeiro). 

O encontro, que durou mais de duas horas, ficou centralizado na discussão do abono. Outras pautas, como a forma de reposição das aulas e a não retaliação aos grevistas, nem sequer chegaram a ser discutidas. 

Considerações. Para a presidente do Cruesp, Marilza Vieira Rudge, o reajuste foi um avanço em direção a um acordo. “A gente está próximo de uma negociação interessante”, disse. Segundo ela, que também é reitora da Unesp, a discussão da defasagem do reajuste não é competência do Cruesp por se tratar de uma questão financeira pontual das universidades. “O abono é uma pauta específica. Cada um dos reitores vai discuti-la individualmente.”

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP, Magno Carvalho, afirmou que esperava uma solução para acabar com a paralisação, mas que agora a situação muda. “Não tem outra saída, a greve continua.” Para ele, a decisão da reunião desta terça-feira “decretou o estado de falência do Cruesp”.

Manifestação. Os cerca de cem manifestantes - estudantes e servidores da USP - que aguardavam o resultado da reunião na frente do Cruesp, na Bela Vista, região central de São Paulo, vaiaram a decisão e o reitor Marco Antonio Zago. Eles disseram que há “intransigência” de Zago ao não concordar, já no encontro, sobre o abono salarial. O grupo se concentrou por volta das 14 horas no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, e chegou a fechar três faixas da via por alguns minutos. 

Abono salarial. Em audiência de conciliação realizada na semana passada no Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT), foi sugerido que a USP pague, de uma só vez, um abono de 28,6% aos servidores, dez dias após se firmar um acordo. O valor seria a reposição do período descoberto entre maio e setembro, quando a categoria começaria a receber o reajuste. Nesta quarta haverá novo encontro no TRT entre direção da USP e servidores grevistas.

Os sindicalistas esperavam que a proposta fosse aprovada nesta terça pelo Cruesp e levada à Unesp e Unicamp. A medida, segundo eles, era o ponto-chave para encerrar a paralisação.

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