Conselho Nacional de Educação deve mexer nos itinerários formativos

Documento divulgado pelo Ministério da Educação traz apenas duas páginas sobre o tema, que foi uma das propostas mais defendidas pelo governo

Luiz Fernando Toledo e Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2018 | 03h01

O Conselho Nacional de Educação (CNE) deve modificar o trecho da base que fala sobre os itinerários formativos no ensino médio - os diferentes caminhos que poderiam ser escolhidos pelos alunos para focar em uma determinada área do conhecimento. 

O documento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) traz apenas duas páginas sobre o tema, que foi uma das propostas mais defendidas pelo governo como forma de tornar o ensino médio mais atraente. “Não há proposta de base para os itinerários. Isso é um erro. Será uma parte do currículo que não se levará a sério. É preciso corrigir isso via CNE, ouvindo secretários, professores, especialistas e estudantes”, disse o conselheiro Cesar Callegari.

O pouco destaque dado aos itinerários também foi criticado pela presidente do Conselho de Administração do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, Anna Helena Altenfelder. “A grande preocupação é que, quando se dá grande autonomia aos Estados, pode-se acirrar o problema da desigualdade. Alguns Estados têm mais recursos e condições. É importante que o CNE acompanhe, com resoluções e pareceres, para deixar assegurada a garantia desse direito a todos.”

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A especialista lembrou ainda de críticas que haviam sido feitas na época em que os caminhos formativos foram anunciados. “Sabemos que existem regiões com dificuldades em ter professores de uma determinada disciplina. Os itinerários serão determinados pelo interesse dos alunos ou pela disponibilidade dos professores? E como resolver a questão dos municípios que têm uma só escola (a maioria dos municípios)? De que forma será feita essa oferta de diferentes itinerários?”

Possibilidades

O documento aponta que os itinerários “devem ser reconhecidos como estratégicos para a flexibilização da organização curricular do ensino médio, possibilitando opções de escolha aos estudantes”. Há destaque para a ideia de “romper com a centralidade das disciplinas nos currículos e substituí-la por aspectos mais globalizadores que abranjam a complexidade das reações existentes entre os ramos da ciência no mundo real”. No fim desse trecho, o documento aponta possibilidades de itinerários, como laboratórios, oficinas, clubes, observatórios, incubadoras, núcleos de estudos e núcleos de criação artística. 

Guia

O MEC diz que vai preparar um guia para os itinerários formativos, direcionado para Estados e municípios. A expectativa é de que esse material comece a ser planejado nos próximos meses. Em nota, o ministério afirmou que a escola flexível “favorece” a equidade em ambientes diversos.

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