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Educação

SÃO PAULO

Comunidades virtuais também auxiliam pré-universitários

Internet viabiliza a trocas de livros, o intercâmbio de aulas e até mesmo dicas que ajudam os estudantes a escolher carreira

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Victor Vieira,
O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2016 | 07h52

SÃO PAULO - A ajuda virtual dos universitários também é uma opção para quem ainda não superou a fase do vestibular. Redes de troca de livros e classes online auxiliam estudantes na preparação para os processos seletivos. 

Há dois anos, um grupo no Facebook chamado Troca de Saber junta anônimos em uma rede de voluntariado. A ideia surgiu quando Amanda Sadalla, logo após o ensino médio em um tradicional colégio particular de São Paulo, buscava alguém na internet para doar seus livros. 

“Conheci a Michele, uma menina de Camaçari, na Bahia. Ela estudava havia três anos para entrar em Medicina em uma universidade pública e me contou sobre suas dificuldades para ser aprovada”, afirma Amanda, hoje com 20 anos. 

Inicialmente criado com amigos de Amanda e de Michele, o Troca de Saber cresceu e reúne quase 3 mil membros. A maioria é estudante, mas também participam professores. 

Auxílios variados. Além do envio de livros, o grupo tem intercâmbio de aulas virtuais, combinadas em plataformas de vídeo. Também circulam dicas, que influenciam até na escolha da carreira profissional.

“Uma pessoa que dá aulas de Química, por exemplo, está fazendo Engenharia. Ela dá a matéria e também pode contar sobre o curso”, explica Amanda, estudante de Administração Pública na Fundação Getulio Vargas (FGV).

Entre os que assistem às aulas, boa parte é jovem vindo da escola pública, que não pode bancar um cursinho pré-vestibular. “Alguns desses estudantes têm uma defasagem de ensino muito grande. O desafio é conseguir passar o conteúdo para alguém que não teve Matemática Básica”, diz Amanda. “Sempre pensamos em quem é ajudado, mas quem dá aula se desenvolve.”

Carolina Moraes, ex-aluna da rede pública, acompanhava as classes online semanalmente. “Sem isso, não sei como seria meu desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)”, conta ela, de 18 anos. “Tinha dúvidas específicas. Não adiantava só o professor passar a teoria e dizer: ‘se vira’.”

Para a adolescente, um mérito do Troca do Saber é o espírito de cooperação. “Muitas daquelas pessoas estão na mesma situação que você, tentando entrar na universidade. Mas um não vê o outro como concorrente”, aponta Carolina, agora bolsista do curso de Administração em uma faculdade privada de São Paulo.

Pelo País. Após entrar no ensino superior, Carolina repassou seus livros para outra integrante do grupo, fora do Estado. “É bacana essa interação. Minha timeline tem jovens de todos os lugares do Brasil”, descreve Amanda. “Você doa os livros e troca pelas histórias de outras pessoas.”

O alcance em regiões remotas do País também impõe desafios diferentes. “A qualidade da conexão de internet pode ser um problema. Alguns participantes precisam ir até a lan house só para ver as aulas”, diz Amanda. Além disso, o Troca de Saber também tem um canal de vídeos no YouTube.