Com os smartphones, educação tem novas possibilidades

Com os smartphones, educação tem novas possibilidades

Para especialista, as novas tecnologias têm potencial para falar melhor a linguagem do aluno do que os métodos tradicionais

Lucas Gabriel Santiago Rangel, Especial para O Estado

03 Dezembro 2014 | 03h00

Quando Bianca Luiza André, de 16 anos, moradora de Rio do Sul, no interior de Santa Catarina, resolveu criar um grupo no WhatsApp para estudar redação, pensando no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não esperava que a quantidade de pedidos para entrar na comunidade virtual fosse tão grande. Mas, em apenas uma semana, ela recebeu tantas solicitações que esgotou as vagas no Grupo Redação Enem. 

Ao longo dos dias, a ideia de Bianca se propagou entre colegas e conhecidos - e ela precisou criar mais dois grupos. Hoje, são 150 pessoas estudando todos os dias. “Estudamos também Matemática, Filosofia, História e Geografia, entre outras matérias. Qualquer integrante pode postar alguma pergunta e começar um debate”, afirma. 

Para Newton Monteiro de Campos Neto, Ph.D. em Empreendedorismo e Serviços Educacionais, as novas tecnologias têm potencial para falar melhor a linguagem do aluno do que os métodos tradicionais. “A inovação foi quase instintiva por parte da aluna. Se ela e seus colegas passam tanto tempo no WhatsApp, por que não utilizá-lo também para o aprendizado?”, questiona. “Acho que devemos aceitar e aprender com o uso destas tecnologias.” 

De acordo com uma pesquisa da consultoria americana eMarketer, no ano passado o Brasil tinha 30,3 milhões de usuários de smartphones. Para este ano, estima-se que esse número chegue a 41,2 milhões, quantidade que deve subir para 70,5 milhões até 2017. E foi a partir dessa expansão do mercado de smartphones que o matemático José Luis Poli, formado pela USP, criou o Programa de Alfabetização na Língua Materna (Palma)

O aplicativo educacional está disponível para sistema Android e reúne mais de 5 mil atividades complementares de Língua Portuguesa voltadas para jovens e adultos com defasagem de aprendizado. “O Palma combina sons, textos, imagens e envio de dados, além de um sistema de gestão de aprendizagem que permite ao professor monitorar o desempenho dos alunos”, diz Poli. 

Lançado em 2011 e testado até 2012 em salas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), o aplicativo tem desde atividades simples, como o ditado do alfabeto, até leitura e interpretação de textos. Atualmente, é utilizado por 220 alunos de escolas de Franca e Itatiba, no interior de São Paulo, além de outros 120 em João Pessoa, na Paraíba, onde está presente, inclusive, em salas de aula montadas dentro de canteiros de obras monitorados pela Universidade Federal da Paraíba. “Conseguimos acelerar o processo de alfabetização, aumentar o tempo de estudo fora da escola, além de diminuir a evasão escolar, já que os alunos se sentem motivados pelo novo desafio”, destaca. 

A auxiliar de coleta seletiva Eridan Gomes da Silva, de 55 anos, é aluna da EJA do Centro Comunitário do Parque San Francisco, em Itatiba. Ela conta que pagou R$ 350 em um celular para poder utilizar o Palma. “Foi um dinheiro muito bem gasto, já que agora estudo não só na escola, mas também no horário de almoço do trabalho e em casa”, conta. 

Newton Campos acredita que, a partir da ideia do Palma, surgirão muitos espaços para inovação nos conteúdos digitais. “Precisamos deixá-los adaptáveis ao momento e realidade do usuário, assim os resultados vão aparecer.” 

Aluno da Faat, Lucas Gabriel Santiago Rangel foi finalista do 9º Prêmio Santander Jovem Jornalista

A fase final e a cerimônia de premiação ocorreram na segunda-feira, na sede do banco, com a participação dos diretores de Conteúdo e Desenvolvimento Editorial do Grupo Estado, Ricardo Gandour e Roberto Gazzi, respectivamente, e de Marcos Madureira, vice-presidente executivo de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander Brasil.  Rossetto e os outros cinco universitários finalistas - Leon Domarco Botão (Unimep), Rafaela Tavares Kawasaki (Unitoledo), Natasha Kawanishi Mazzaro (PUC-SP), Juliana Verri Ribeiro (Unitau) e Lucas Gabriel Santiago Rangel (Faat) - receberam laptops e garantiram a publicação de suas matérias. A reportagem do vencedor também está hoje no jornal O Estado de S. Paulo. 

Confira os textos de todos os finalistas: 

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