Com 7 ‘áreas de risco’, USP vive clima de insegurança

Um mês após assassinato de estudante da FEA, professores e alunos do câmpus Butantã, na zona oeste, ainda convivem com o temor dos criminosos

Caio do Valle e Felipe Tau, Jornal da Tarde

20 Junho 2011 | 12h49

Um mês depois do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, no estacionamento da Faculdade de  Economia, Administração e Contabilidade (FEA), o clima ainda é de insegurança no câmpus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), zona oeste.

 

Apesar de algumas viaturas da Polícia Militar já estarem circulando no local, alunos e professores afirmam que a ronda ainda é insuficiente, porque certas características da Cidade Universitária facilitam a ação dos criminosos. Entre as mais citadas estão a falta de iluminação, o tamanho do câmpus e a presença de matagais.

 

Esses elementos podem ser observados em sete áreas consideradas de maior risco no interior da USP, de acordo com mapa elaborado pelo Centro de Planejamento e Controle do câmpus. Quatro desses pontos ficam perto de portarias. O material foi apresentado no início de maio – semanas  antes do crime – em uma reunião do Conselho Gestor. Um funcionário, que preferiu não revelar o nome, afirmou que, em seis desses locais, a incidência de  furtos e roubos é maior. No outro, o maior problema é o alto índice de furto de carros.

 

 

O diretor de operações e vigilância do câmpus, Ronaldo Pena, disse que a segurança tem trabalhado preventivamente. “Já estamos atuando nesses pontos.” Além disso, afirmou ele, um material informativo com dicas de segurança passou a ser distribuído.

 

Paiva foi morto após ser abordado por assaltantes por volta das 21h do dia 18 de maio, no momento em que entraria no carro. Um dos suspeitos está preso.

 

Professor do Departamento de Administração da FEA, Moacir de Miranda Oliveira Júnior, de 48 anos, disse que ainda nota uma sensação de insegurança na faculdade. “O policiamento aumentou, mas as pessoas ainda estão sensíveis ao que houve. Afinal, foi um assassinato. É difícil ter uma reunião em que não sejam discutidas medidas de segurança.”

 

Já o aluno Fernando Augusto Dias de Carvalho, de 19 anos, que estuda Administração, disse que adotou medidas preventivas depois do crime. “Quando saio mais tarde, vejo se tem pessoas indo para o mesmo lugar e vou junto.”

 

Uma professora da Escola de Comunicação e Artes (ECA), que não quis se identificar, também revelou ter mudado de hábitos. Ela usava os caixas eletrônicos próximos à FEA às 18h, “quando tinha menos gente”, mas agora vai apenas de dia. Para ela, o tamanho do câmpus, a falta de iluminação e a presença de terrenos baldios ou canteiros de obras são os principais motivos para a insegurança.

 

De acordo com o mapeamento, o trecho que apresentaria mais furtos de automóveis engloba partes da Politécnica, da Faculdade de Psicologia, da ECA e da FEA.

 

Oficialmente, a USP informou, por meio de sua assessoria, que o mapa foi apresentado “apenas como exemplo do que se pretende fazer” e que ele “está  bastante desatualizado”, não podendo, segundo a nota, “ser usado”. No entanto, não foi dado um prazo para que a “forma definitiva” desse mapeamento  seja divulgada. A USP ainda afirmou que só se manifestará sobre o tema segurança no câmpus após a formalização do protocolo de atuação da PM e que a  iluminação será reformulada.

 

DICAS

 

Cartilhas com orientações de segurança estão sendo distribuídas pela USP. A universidade informou que elas já  existiam, mas ganharam nova versão de bolso no começo de junho, com tiragem de 100 mil exemplares. Veja alguns dos 14 tópicos:

 

- Circular pelo câmpus acompanhado, principalmente à noite

- Não permanecer dentro do carro depois de estacionar

- Não deixar objetos de valor dentro do carro

- Não estacionar nos mesmos locais, ou fazer o mesmo trajeto

- Abrigar-se no prédio mais próximo ao perceber atitude suspeita

- Estar acompanhado ao praticar atividades esportivas

- Informar à Central de Controle do câmpus toda a ocorrência

- A Guarda Universitária pode ser acionada pelos telefones 3091-3222 ou 3091-4222

 

FRASES

 

"Só me sinto segura até as 17h. Trabalhar à noite não é como antes"

PROFESSORA DA ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E ARTES, QUE NÃO SE IDENTIFICOU

 

"As pessoas ainda estão sensíveis. É difícil ter uma reunião em que a segurança não seja discutida"

MOACIR DE MIRANDA, 48 ANOS, PROFESSOR DE ADMINISTRAÇÃO, NA FEA HÁ 6 ANOS

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