Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Gustavo Zucchi, especial para o Estado

17 Setembro 2017 | 17h12

SÃO PAULO - A preocupação com a escolha da carreira e da faculdade não está restrita aos estudantes e às suas famílias. Além do ensino de disciplinas como Matemática e Português, muitos colégios têm trabalhado com os alunos formas de encontrar o melhor caminho no momento de decisão profissional.

É o caso do Bandeirantes, na zona sul de São Paulo. O tradicional colégio paulistano lançou em 2017 o Departamento de Orientação Profissional e para os Vestibulares. O projeto, que visava a abrir o leque em uma escola onde 3/4 dos alunos desejavam seguir as carreiras mais “clássicas” (Direito, Engenharia e Medicina), nas palavras de seu coordenador, Claudio Pinheiro, “bombou”.

“Só para você ter uma ideia, no 3.º ano já foram 150 atendimentos. Tudo bem que a escolha é grande, mas do 2.º e do 3.º ano tivemos entre 15% e 20% dos alunos atendidos”, explica. O processo de aconselhamento no Bandeirantes é dividido, segundo o coordenador, em três eixos: vocacional (para os jovens que não sabem nem ao menos a área em que melhor se encaixam), profissional (para quem sabe a área, mas não o curso) e de vestibulares (para ajudar o aluno a escolher em qual faculdade tem o curso escolhido mais parecido com o que o estudante espera de um profissional).

Pinheiro e sua equipe – com mais quatro colaboradores: João Paciello, Eneida Castro, Vanessa Passarelli e Ricardo Aguirre – conversam com o aluno, apresentam as possibilidades e contam até com a ajuda de um aplicativo de celular para descobrir como aconselhar da melhor forma possível o caminho a ser seguido.

“Eu estava muito confuso em relação a faculdade e isso vai me ajudar a dar uma direção”, explica o estudante do Bandeirantes Rafael Klerer, de 17 anos. “Muitos dos meus amigos falavam coisas diferentes de cada faculdade. Não sabia em que ia me encaixar. Ele (Pinheiro) me explicou que era muito pessoal. Não é porque um cara não gostou que eu também não iria gostar.” O “coaching” deu certo: Rafael, que estava em dúvida entre Economia e Administração, optou pela primeira e está de olho nos vestibulares da Pontifícia Universidade Católica (PUC), da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Insper.

Aula obrigatória. Já na Escola Vera Cruz, na zona oeste da capital, as orientações para os alunos vêm de longa data, desde 1998. De lá para cá, mudou muito a maneira como o aconselhamento é feito, mas o foco sempre foi o mesmo, como explica a coordenadora Ana Maria Bergamin: ressaltar desde cedo a importância da escolha.

“Logo que eles chegam ao ensino médio a gente diz para eles que escolher é um exercício que deve ser feito. No 1.º ano, eles escolhem entre disciplinas de Artes, Educação Física. No meio do 2.º, a gente põe na grade um momento de falar com eles do projeto de vida.” Um professor para cada turma sobre a escolha individual e levantamento de carreiras, de olho já no mundo profissional.

Em seguida, entra o auxílio dos pais. Com o colégio, são organizadas visitas aos ambientes de trabalho deles. “Para muitos alunos, as visitas são decisivas. Um jovem que quer ser médico, quando entra em um pronto-socorro, vê aquilo se materializar”, conta a coordenadora da Vera Cruz. A última etapa, no 3.º ano, é conversar com cada aluno sobre as opções de universidades. “Às vezes são eles que nos apresentam carreiras novas. Nem sempre somos nós que estamos andando para frente”, completa Ana Maria.

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Contato com profissionais é aposta de colégios na escolha de carreira

Objetivo faz palestras e abre Unip a visitas de alunos; Dante fornece informações sobre áreas

Gustavo Zucchi, especial para o Estado

17 Setembro 2017 | 17h11

SÃO PAULO - Outra opção das escolas para auxiliar os alunos a escolher a carreira é manter, ao longo do ensino médio (e às vezes até antes), um contato direto com profissionais da área e deixar os estudantes o mais próximo possível do ambiente universitário. Os alunos do Colégio Objetivo, por exemplo, têm a oportunidade de frequentar as aulas e os laboratórios da Universidade Paulista (Unip), que pertence ao mesmo grupo. Segundo a coordenadora pedagógica do Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes, o objetivo é oferecer ao jovem o maior número de informações possíveis na hora de decidir pela profissão.

“Temos um setor de vestibulares no qual o que o aluno quiser saber o pessoal lá vai estar preparado para responder.” Além das visitas a Unip, o Objetivo organiza uma série de palestras com ex-alunos de várias áreas. Mesmo que perca, o estudante pode ver depois na rede interna da escola.

O Colégio Dante Alighieri também aposta nessa interação na hora da complicada decisão do curso universitário. A cada dois anos promove a Jornada de Informação Profissional, que reúne estudantes com profissionais de diversas áreas. “A ideia é que eles desenvolvam um percurso mais longo, não uma escolha que chegue apenas ao fim do terceiro ano”, diz a orientadora educacional do Dante, Claudia Meletti.

A área voltada para a escolha do aluno no colégio está reunida no Programa de Orientação Profissional. Ali, além de promover os eventos, o Dante organiza todas as ferramentas para proporcionar condições aos jovens de investigar e construir um repertório de informações que favoreça reflexões e forneça os subsídios que podem auxiliá-los em suas próximas etapas de escolha.

“Às vezes, o estudante não tem a informação e a orientação que precisa para tomar decisões e acaba escolhendo algo para satisfazer os pais ou algo que não sabe se irá gostar”, diz a aluna do 3.º ano do ensino médio do Dante Beatriz Pellizzon, de 17 anos.

A orientadora educacional do Dante conta que a cada ano a área é procurada por alunos mais jovens. Quando têm dúvidas, a gente opta por um aconselhamento mais individual, mas deixa para eles refinarem a escolha”, diz Claudia.

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