Colégio de Pernambuco consegue melhor nota do país no Ideb

Unidade federal de ensino obteve a melhor nota nos anos finais do ensino fundamental

Ângela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

14 Agosto 2012 | 21h18

RECIFE - O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco obteve a melhor nota do país (8,1) no Ideb, divulgado hoje, 14.  A liderança se mantém desde a criação do instrumento de avaliação. O colégio está sem funcionar desde maio por conta da greve nas universidades federais.

Com um total de 411 alunos e classes com no máximo 30 estudantes, o colégio tem professores  com dedicação exclusiva - 30% deles com título de doutor e 47% de mestre. Os alunos passam por concorrida seleção para o seu ingresso. A proposta pedagógica de ensino prima pela pesquisa e estimula o senso crítico e a autonomia de conhecimento.

O currículo inclui música, teatro, dança e língua francesa. Os professores de cada área de ensino se reúnem semanalmente para avaliação do ensino, são engajados e cobrados. Os pais participam do processo de aprendizagem dos filhos através de constante diálogo e suporte em casa. Os alunos produzem conhecimento – expostos normalmente em feiras de ciências – e têm atividades extraclasse. A equipe técnica também faz a diferença ao emprestar sua experiência nos diferentes serviços que desenvolvem, a exemplo de orientação educacional e disciplina.

 “Cada um faz a sua parte”, destaca Adriana Rosa, vice-diretora do colégio, ao lembrar que são vários os elementos que promovem a excelência da escola, que ensina do sexto ano fundamental ao terceiro ano do curso médio. Resultados práticos do ensino: 100% dos alunos do Colégio Aplicação passam no vestibular e a evasão é de cerca de 2%.

 “Antes de minha filha nascer eu já almejava que ela estudasse no Colégio de Aplicação”, afirmou um dos 51 professores da escola, Marcelo Tavares, doutor em Educação. Carolina, sua filha, tem 12 anos e cursa o sétimo ano. Para entrar, não teve benefício por ser filha de professor. Como qualquer candidato, enfrentou a seleção – provas de Português e Matemática. Competiu com dois mil alunos as 55 vagas oferecidas anualmente.

 “Minha vibração foi enorme, minha filha tem o melhor”, contou Marcelo, que considera a escola “crítica, transformadora, inovadora e revolucionária”. Ele destaca que no colégio, o professor em sala de aula é também um estudioso, enquanto estimula o aluno a buscar, a não se limitar a um único livro de referência, a pesquisar sem dogmas e preconceitos, a ter uma prática forte de leitura.

A clientela é de classe média. Muitos pais põem seus filhos em cursinhos preparatórios para a seleção da escola.

É na parte estrutural que o Colégio de Aplicação deixa a desejar: os aparelhos de ar condicionado novos não funcionam porque a rede elétrica é insuficiente; os alunos têm direito a um netbook cada um no laboratório de informática, mas as poucas tomadas não permitem a recarga. Não existe sala para os professores.

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