Colaboração entre colegas é parte de projeto pedagógico de escola de Cotia

Às 8 horas da sexta-feira passada, Lohan Apezato, de 9 anos, cumpria um compromisso: ensinar expressões numéricas para o amigo Igor Yasushi, também de 9. A colaboração entre colegas é parte essencial do projeto. Quem precisa de ajuda coloca o nome em um mural. Ao lado, os alunos que podem ajudar escrevem seus nomes e marcam o local e horário para o encontro.

PAULO SALDAÑA - O Estado de S. Paulo,

13 Agosto 2012 | 13h52

 

“Falei pra ele que começa com as contas de mais ou menos. E depois vai para as outras contas”, explica Lohan. A atividade era realizada na sala de leitura e vídeo, com ligação para a biblioteca. Um prédio com uma bela arquitetura. Mas, se eles quisessem, poderiam se encontrar embaixo da árvore, perto da pista de skate.

 

Como já acabaram a lição e ainda sobrava tempo para a próxima atividade (naquele dia, tinham pela frente linguística, matemática e tricô com os dedos) Lohan e Igor foram apresentar um pouco dos 11 mil metros quadrados do Âncora. O local abriga a tenda de circo, quadra, refeitório, espaço para artes, marcenaria, pomar e muito verde. “Eu gosto do circo, mas gosto também de fazer lição”, explica Igor, antes de mostrar algumas cambalhotas.

 

Os dois vieram de escolas municipais da cidade, que seguem o modelo tradicional. Adoram o Âncora, mas a adaptação não é igual para todos. E mesmo para os pais.

 

No início, nove pais tiraram seus filhos por acharem que não se aprenderia nada ali. Mas quem acreditou não se arrepende. “Tem dado muito certo, meu filho teve uma mudança rápida. Está mais calmo, concentrado. E está aprendendo até espanhol”, diz Alexandre Bascegas, de 34 anos, pai de Henricco, de 8. Bascegas, que tem uma pizzaria, diz ter ficado impressionado com os profissionais. “Sinto que todos podem responder sobre o Henricco. Até o porteiro tem a mesma responsabilidade com as crianças que a diretora.”

 

Essa multiplicação de responsabilidades, de uma escola, famílias e até uma cidade de educadores, é outro princípio que move o Âncora. Dentro do projeto, o modelo se repete. A gestão do material escolar, que é todo coletivo, é decidida com os alunos. Nas reuniões de pais, a ideia é que eles contem o que fizeram e o que acontece na escola.

 

A copeira Rosana de Souza, de 44 anos, tem aprovado como a filha Antonia Maria, de 10, está se desenvolvendo. “A criança é que se desenvolve, aprende a ser independente”, diz. “A Antonia melhorou muito em se enturmar com os colegas. Ela tinha dificuldades.”

 

A coordenadora Claudia Duarte explica que a evolução ocorre na prática. “A autonomia se cria com autonomia”, afirma. O próximo passo é constituir uma assembleia da escola, em que todos votam, a associação dos pais e consolidar o processo de autonomia. Mas é o processo que vai dizer como será o caminho.

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