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Coisas que eu queria saber aos 21: Vicky Bloch

Psicóloga e consultora de executivos fala de sua vida e formação profissional

Estadão.edu,

19 Agosto 2012 | 11h20

"Desde pequena fui interessada por pessoas. Na escola, meu negócio era a área de Humanas, nunca fui fã de matemática e da lógica cartesiana. Sabia que não me daria bem fazendo Engenharia, Direito ou mesmo Medicina – não gosto de ver o sofrimento do outro. Apesar de ainda ser muito jovem e imatura para ter a certeza de que escolheria a profissão certa, quando fui prestar vestibular já conseguia enxergar que tinha uma identificação com a psicologia.

Outro fator que me aproximou da psicologia foi ter conhecido uma psiquiatra que adotou uma metodologia inovadora na época, fins dos anos 60. Fazíamos com ela uma espécie de terapia de grupo. Ficava encantada ao ver como ela ajudava pessoas a resolver problemas a partir das conversas que tínhamos.

Mas é interessante observar que os sinais das nossas habilidades e preferências não se dão só na escola. Fora das aulas, minha paixão era o esporte – em especial o hipismo. Pode parecer estranha essa associação, mas a relação que passei a ter com os animais, especialmente cavalos, ajudou a definir minha profissão. Escolhi o adestramento e ali aprendi a ter total integração com o animal. Cheguei a pensar em fazer Agronomia por conta dessa paixão. Mas acabei prestando dois vestibulares: Psicologia, para desespero do meu pai, que, naquela época, dizia que essa era profissão de mulherzinha em busca de casamento; e Comunicação.

Fui aprovada em Psicologia na PUC. No primeiro dia já tive certeza de que havia acertado na escolha. A PUC seguia uma vertente psicanalítica, junguiana, com a qual me identifiquei.

Meu primeiro estágio foi no Hospital do Câncer, como voluntária na área de arrecadação de fundos, e foi muito sofrido. Apesar disso, o voluntariado me fez perceber que eu sou movida a causas. Acho que devo isso a meu pai, que marcou minha formação de valores, me mostrou a importância de praticar uma causa e de tratar a todos com igualdade.

No 3.º ano descobri que não queria psicologia clínica, mas a psicologia social me atraía profundamente. Isso se confirmou no estágio que fiz em um banco, em que o chefe era o João Mendes, meu professor na faculdade – hoje, aliás, me orgulho de tê-lo como sócio. Fizemos um trabalho intenso de treinamento de equipes, viajei muito pelo interior de São Paulo. Além dos seminários que organizávamos, fazíamos serestas, nos aproximávamos das pessoas. Aprendi a enxergar o ser humano no seu hábitat.

Se pudesse dar um conselho para quem tem hoje 21, eu diria: se você não descobriu ainda o que te move, a sua causa, procure dicas que possam basear suas escolhas. No meu caso foi o cavalo; o voluntariado; o acidente que tive aos 11 anos e me deixou engessada do pescoço à bacia por quatro meses; os aprendizados com meu pai; as quintas-feiras à noite com meu avô, um sábio.

Se você já escolheu o que quer fazer, vá conversar com gente que trilhou esse caminho, veja como é o dia a dia dessas pessoas e tente se enxergar nessa rotina. Mas não vá atrás de gente amarga, fale com quem gosta do que faz e tem brilho nos olhos. Estude muito, além daquilo que te pedem. E experimente. Não despreze oportunidades, enfie o pé na porta e mostre interesse. Boa sorte na vida."

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