Método Engenharia/Divulgação
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Coisas que eu queria saber aos 21: Hugo Marques da Rosa

Presidente da Método Engenharia lembra dos tempos de faculdade e do início da carreira

Estadão.edu

28 Novembro 2011 | 22h50

"Quando estudava Física e Engenharia na UFRGS, eu não tinha planos além de me formar. Um colega foi fazer vestibular em São Paulo e eu o acompanhei. Prestei para Engenharia de Produção e entrei na Poli.

 

Meu pai era médico e morreu quando eu tinha 17 anos, antes de me mudar para São Paulo, em 1967. Me inscrevi na moradia universitária, o Crusp, mas havia a premissa de que alunos de outros Estados tinham como se manter. Eu e outros excedentes ocupamos um alojamento mais vazio, de alunos da pós e professores. Houve negociação e a reitoria decidiu que cada apartamento receberia mais um aluno. Então, para mim, essa questão toda hoje de Crusp e invasão de reitoria é familiar.

 

Na época não havia polícia no câmpus nem tráfico. Quando a PM entrava na USP, era para reprimir alguma questão política. Em 68, ela fechou o Crusp e fortaleceu a repressão. Morei em banco de praça, na biblioteca da FAU, na casa de amigos.

 

Um dia, meu colega de quarto e um amigo dele me convidaram para abrir uma fábrica de blocos de concreto. O primeiro saiu do Brasil por motivos políticos. Então, em 69, fundamos a Diagrama, eu e o outro aluno. Era o Henrique Meirelles. Mas ele foi sócio só por um ano, resolveu se dedicar à graduação.

 

Com o seguro de vida de meu pai e umas aplicações que fiz, tinha comprado um Corcel, que vendi para montar a fábrica. Fiquei com um Fusca. Chegava à fábrica, em Diadema, às 7 horas e depois ia para a Poli; ao meio-dia, voltava. Hoje seria impossível, por causa do trânsito.

 

Nossos clientes eram construtoras, que pediam prazos de pagamento que não podíamos dar, por não ter capital de giro; e gente que comprava blocos para ampliar a casa. Conclusão: tínhamos que agregar valor aos blocos. Como era obrigatório murar terrenos baldios na capital, começamos a fazer muros, com um novo serviço: fabricar o bloco no canteiro de obras, o que evitava o ICMS que incide sobre o transporte. Os clientes compravam insumos, o que dispensava capital de giro. Uma incorporadora nos pediu para murar um conjunto e fazer também as casas, minha primeira experiência com construção.

 

Quando me formei, em 1971, vendemos a Diagrama. O dinheiro não daria para um Corcel novo, mas o trabalho serviu para me manter e fazer contatos. Me tornei sócio de outra empresa e em 73 saí para fundar a Método com meu sócio, Victor Foroni. Tinha duas ideias: usar na engenharia conceitos da indústria, como a administração científica que aprendi na Poli; e ter uma relação mais civilizada entre capital e trabalho – a construção ainda funcionava como as corporações da Idade Média, vide o vocabulário: contramestre, feitor, etc.

 

Tirando o Mário Covas, na época em que presidi a Sabesp, nunca tive chefe. O que tive vontade de fazer, fiz. Meu conselho para os jovens de 21 anos pode ser: trabalhe numa organização que seja uma boa escola. Nem todas são. É bom ter líderes que possam ensinar. E, quando tiver que tomar uma decisão, consulte seu estômago. Se estiver incomodado, saia."

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