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Coisas que eu queria saber aos 21

Professor da Universidade Stanford, Paulo Blikstein fala sobre sua formação

Estadão.edu

27 Setembro 2011 | 00h00

"Não foi surpresa chegar aos 17 anos sem saber o que fazer: Cinema, Economia, Engenharia ou nenhuma das anteriores? Até os 14, estudei numa escola fundada pela filha do educador Paulo Freire. Não tinha provas, aprendi a gostar de aprender. Na época tracei meu primeiro e modestíssimo plano de carreira: ser cientista e descobrir a fórmula da imortalidade.

Fiz o ensino médio no Colégio Equipe. Sempre gostei de ciências e de eletrônica, mas adorava fazer vídeos e me interessei também por economia.

A dez minutos do prazo de entrega da inscrição na Fuvest, minha ficha estava em branco. Lembrei do que meu avô havia me dito: ‘Faça sempre o mais difícil para você.’ Escrevi Engenharia e entreguei.

Do mundo da educação alternativa, caí na Politécnica da USP. É a melhor escola do País, mas o sistema de ensino era cruel e conservador. Quando vi que ia me formar, decidi realizar um dos sonhos adiados. Fiz Cinema: passava o dia entre engenheiros e a noite entre cineastas e atores. Formado, abri uma empresa de produtos de educação a distância, escrevi uma sitcom e dois documentários científicos, dei aulas na FGV e fui apresentador de TV. 

Ainda queria mudar o ensino de Engenharia, achava que afastava gente criativa. Fiz mestrado na Poli e numa visita ao Massachusetts Institute of Technology, em Boston, descobri um grupo que pesquisava como reformular não só o ensino da área, mas todo o sistema educacional. Após outro mestrado no MIT, no Media Lab, passei cinco anos na Northwestern University, em Chicago, num doutorado em Educação. 

Hoje, em Stanford, meu laboratório é um retrato dessa história. Trabalho na escola de educação, mas metade dos meus alunos são engenheiros. Livros do Piaget estão na estante de manuais de robótica; transístores e obras de Paulo Freire ficam na mesma bancada.

Aos 21, queria ter entendido que não ter sonhos é tão errado quanto não deixá-los evoluir. Como o vinho, há um tempo certo para eles. Começam malformados, egocêntricos, mas vão se tornando possibilidades, planos de ação e, enfim, realidade. Aos 10 anos, meu bisavô morreu, e eu sonhava em descobrir a fórmula da imortalidade. Hoje pesquiso o aprendizado, esse estranho hábito de passar a cultura de geração para geração – a forma que a humanidade encontrou de ser imortal.”

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