Denise Andrade/AE-17/10/2009
Denise Andrade/AE-17/10/2009

Coisas que eu queria saber aos 21

A bailarina Ana Botafogo fala sobre sua formação

Estadão.edu

27 Junho 2011 | 21h47

"Aos 21 anos, eu já tinha feito toda a minha preparação para o balé, já tinha ido à Europa, onde tive minha primeira experiência  profissional, no Balé de Marselha, na França. Estava voltando ao Brasil e queria saber se conseguiria viver da profissão que eu havia abraçado.

 

A viagem para Marselha definiu minha vida de bailarina. Eu tinha terminado o colégio e entrado no curso de Letras, no Rio. Tranquei para estudar francês em Paris, morando na casa de um tio diplomata.

 

Um dia vi um anúncio de um teste para a companhia de balé de Marselha. Tentei na curiosidade e fui chamada. Foi um desafio grande. Era menina de casa, não tinha desenvoltura como o pessoal de hoje. Era uma época sem internet, telefone celular. Falava com meus pais às vezes uma, duas vezes por ano.

 

A experiência deu certo, mas, quando voltei, não sabia se poderia viver de dança no País. Claro, eu sabia que havia várias bailarinas aqui e meu sonho era entrar no Teatro Municipal do Rio. Também sabia que alguns bailarinos do Municipal tinham outras profissões para se sustentar.

 

Estou há 30 anos no Municipal. Só que não entrei lá logo quando voltei ao Brasil. O teatro estava fechado na época, acho que em obras. Eu havia recebido um convite para dançar no Teatro Guaíra, em Curitiba.

 

Foi um começo maravilhoso para mim, mas lá sofri um acidente de carro e me feri perto do joelho. Tive uma atrofia na perna; fiquei sem saber se poderia caminhar ou ficar com uma sequela. Consegui me recuperar em alguns meses. Anos mais tarde, quando ensaiava para Romeu e Julieta no Municipal, ainda tinha, sem eu saber, um vidrinho do carro perdido nos meus tendões. O vidrinho foi surgindo e saiu.

 

Agora, vendo do topo, percebo como, aos 21 anos, não temos ideia do que vai acontecer depois. Acho que o que sempre norteou a minha vida  foi a vontade de ultrapassar limites, como quando morei na Europa sozinha ou me recuperei do acidente.

 

Em 2009, consegui me formar em licenciatura em Dança. Tinha trancado Letras e se passaram 27 anos até voltar a estudar. A gente fez uma turma só de bailarinos do Municipal, num convênio com a UniverCidade. As aulas teóricas foram dadas num prédio ao lado do teatro; as práticas, nas salas do Municipal. Não podia perder isso. Sempre tive o sonho de terminar a faculdade."

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