Secom/Rio das Pedras
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Cidade do interior de São Paulo chama voluntário para dar aula

Gestão anterior de Rio das Pedras não finalizou processo para completar quadro de professores na rede municipal

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

17 Fevereiro 2017 | 03h00

SOROCABA - Graças à professora Débora Buranelo, de 38 anos, a quarta-feira foi um dia normal de aulas na Creche Municipal Padre Geraldo, em Rio das Pedras, no interior paulista. Aos pequenos alunos, entre 2 e 3 anos, ela contou histórias, falou sobre alimentação correta e ensinou noções básicas de higiene. 

Débora não é professora contratada pelo município. Ela se apresentou à escola para atender a um apelo do prefeito Carlos Defavari (PSDB), transmitido pelas redes sociais.

A cidade, de 29,5 mil habitantes, iniciou o ano letivo sem o quadro completo de professores na rede municipal. O contrato com os docentes venceu na gestão anterior, no fim de 2016, e não foi renovado. 

“O prazo para fazer o processo seletivo, como manda a lei, ficou apertado e as crianças corriam o risco de ficar 15 dias ou mais sem aulas”, disse. Em vídeo, o prefeito pediu a educadores e estagiários com “a profissão no coração” que procurassem a prefeitura para “ajudar voluntariamente e não deixar nossas crianças sem aulas”.

Débora foi uma dos 21 professores que se apresentaram. “Estou terminando o curso de Pedagogia e já fiz estágio, trabalhando com crianças especiais, então tenho alguma experiência. Tenho filha de 14 anos na escola e sobrinhas em creche. Sei o quanto é duro para as mães não ter a creche para deixar o filho.”

Segundo a secretária municipal de Educação, Glória Manesco, a rede tem 4,9 mil alunos e a maioria poderia ficar sem aula neste mês. “Os voluntários vieram com muita vontade e estão nos ajudando, enquanto o processo seletivo não fica pronto.”

O período não deve ser contado como parte do calendário de 200 dias letivos, mas a ideia é que as crianças fiquem nas escolas, que servem merenda, e adiantam os estudos.

O ex-prefeito Julio Cesar Barros Ayres (PPS) disse que, em razão da crise, não antecipou a contratação de professores para o exercício seguinte. Segundo ele, essa medida poderia ser tomada nos primeiros dias da atual gestão, além de haver quadro de efetivos suficiente para a maioria das escolas.

Nova convocação. Segundo a prefeitura, para a composição do quadro oficial do magistério, estão sendo chamados professores já aprovados em processo seletivo anterior, mas muitos desistiram de assumir os postos. 

O novo processo ainda está com as inscrições abertas e, na melhor das hipóteses, os novos contratados assumem em meados de março.

Outro voluntário foi o operador de guindaste Vitório Natalino, de 48 anos. Mesmo não sendo professor, ele foi com sua roçadeira para uma escola. “De manhã e à tarde, enquanto a voluntária dava aulas, rocei todo o mato alto, que era um perigo para as crianças”, contou. 

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