Chile aumenta em 7% orçamento da educação

Ministro se reúne com estudantes e aceita discutir meios de garantir acesso gratuito à universidade

Efe

30 Setembro 2011 | 16h43

 Pressionado pela greve de estudantes iniciada há cinco meses, o governo chileno anunciou nesta sexta-feira o aumento de 7,2% na fatia do orçamento destinada à educação. Também concordou em discutir com o movimento estudantil formas de garantir o acesso gratuito à universidade.

O projeto de lei que será encaminhado amanhã ao Congresso pelo presidente Sebastián Piñera prevê um orçamento de US$ 60 bilhões em 2012, 5% a mais que este ano. Desse total, US$ 11,6 bilhões serão aplicados em educação. Com isso, a previsão é de que o setor absorva 25% do aumento do gasto público em 2012.

Além do anúncio de Piñera, o ministro da Educação, Felipe Bulnes, reuniu-se com lideranças estudantis, em encontro que marcou a retomada do diálogo para por fim à greve. Bulnes afirmou que um novo encontro foi marcado para quarta-feira. O principal item da pauta será a gratuidade.

O ensino superior gratuito é uma das principais demandas dos estudantes, mas o governo tem resistido a atendê-la, alegando que não é justo oferecer universidade de graça a quem pode pagar por ela. “Para o governo, tratar da gratuidade significará tratar de todos os temas que já definimos com os próprios estudantes, como bolsas e acesso às universidades.”

O discurso da principal líder dos estudantes, Camila Vallejo, foi menos otimista que o do ministro.  “Lamentavelmente, ao iniciar as conversas, nos encontramos con vários obstáculos. Um deles foi o governo estabelecer como condição (para o diálogo) a volta às aulas.”

Nesse ponto, o impasse permanece. Universitários e secundaristas ratificaram a decisão de manter a paralisação; o ministro condicionou ao fim da greve a realização de ajustes no ano acadêmico, sem os quais os alunos serão reprovados.

Os estudantes também prometeram manter as manifestação de rua, apesar dos confrontos com a polícia. Um protesto realizado na quinta-feira em Santiago deixou 114 detidos, além de 10 policiais e 4 civis feridos, entre eles um cinegrafista. Grupos de encapuzados depredaram o mobiliário urbano, atearam fogo a um automóvel e saquearam um supermercado.

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