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Centro Paula Souza propõe ajudar em reforma do ensino médio

Diretora sugeriu à secretaria estudo sobre espaços ociosos; Sesi e Senai preveem parcerias só depois de testarem novo currículo internamente

Tulio Kruse, Especial para o Estado

13 Julho 2017 | 15h24

O Centro Paula Souza (CPS), responsável por administrar as Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e as Faculdades de Tecnologia (Fatecs), propõe ajudar a rede estadual paulista na oferta de formação técnica após a reforma ensino médio. Com a mudança do currículo, cursos técnicos e profissionalizantes serão uma opção de percurso formativo aos alunos da última etapa da educação básica.

A diretora-superintendente do CPS, Laura Laganá, disse ao Estado que sugeriu à Secretaria da Educação do Estado (SEE) um levantamento de espaços ociosos em unidades da rede. Além disso, propôs uma pesquisa de interesse com alunos do ensino médio para estimar o número de vagas necessárias para o itinerário profissionalizante.

“Acreditamos que há espaços na escolas estaduais onde o Paula Souza pode atuar”, diz Laura. “Na reforma do ano passado, que acabou não acontecendo, ficou claro que existem espaços ociosos na rede estadual.”

À época, o governo pretendia separar as escolas por ciclo e fechar unidades com menor demanda. A justificativa era a queda no número de matrículas, que resultava em espaços ociosos. Anunciado no fim de 2015, o plano acabou suspenso após a ocupação de colégios por alunos. Agora, segundo o CPS, a ideia é usar a disponibilidade de espaço para atender alunos que optarem pelo itinerário técnico.

O centro tem um total de 57,8 mil alunos matriculados no ensino técnico integrado ao médio, e outros 21 mil inscritos apenas no ensino médio, distribuídos em 220 Etecs no Estado. No período noturno, as matrículas para o ensino médio já estão esgotadas. A direção do CPS diz que o número de matrículas em Etecs e Fatecs tem aumentado enquanto diminui nas escolas da rede paulista.

“Nenhuma secretaria de educação vai ter estrutura para implementar a reforma se não se conveniar com as instituições de ensino profissional”, alerta a diretora. “É essa engenharia que temos de estudar juntos para a implementação da reforma.”

Ao Estado, a SEE disse que, neste momento, "avalia a estrutura necessária" para implementar mudanças no ensino médio. No entanto, a pasta aguarda a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), no âmbito federal, para tomar qualquer decisão sobre o tema.

“Nada mudará nas escolas estaduais sem ampla consulta às comunidades escolares, ou seja, o planejamento da implementação será feito em conjunto com a rede estadual e com os estudantes”, destacou a secretaria, em nota.

Para ajudar estudantes, pais, professores, escolas e a sociedade em geral a se informar e tirar suas dúvidas sobre a reforma do ensino médio, o Estado iniciou no mês passado uma cobertura especial sobre a reforma.  A reportagem tem visitado escolas na cidade de São Paulo com diferentes perfis para colher dúvidas sobre as mudanças, e uma série de reportagens tem sido publicada sobre o tema. Os leitores também poderão enviar seus questionamentos por meio do e-mail ensinomedio.estadao@gmail.com.

Repercussão. Para o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Araújo e Oliveira, é preciso ter cuidado para não criar distorções na oferta de educação profissional para alunos do ensino médio, já que há uma quantidade menor de unidades do CPS em algumas regiões do Estado. “Se não se pensar de forma sistêmica, com critérios regionais como emprego e serviços, e negociar com o setor produtivo a localização estratégica dessa escola, dificilmente se chega a uma solução adequada, por causa da escala.”

Especialistas do setor público e privado apontam para o chamado ‘sistema S’ como uma boa alternativa para oferecer as aulas do itinerário técnico e profissional ao ensino médio. Administrados por organismos oficiais do empresariado, o conjunto de serviços formado por Sesi, Senai, Sesc, Senac e Senar, entre outros, têm por objetivo financiar iniciativas que garantam qualificação profissional, educação, cultura e serviços. Seus recursos provêm da cobrança de contribuições das empresas, de 0,2% a 2,5% das folhas de pagamento.

“No Brasil, o caminho natural seria delegar ao sistema S, que já tem dinheiro para isso, para que cuide do planejamento e da execução da educação técnica”, diz Oliveira, do Instituto Alfa e Beto. “Lógico que temos instituições como o CPS, que também poderia entrar nesse meio.”

O diretor de operações do Serviço Nacional de Aprendizagem (Senai), Gustavo Leal, diz que o setor só cogita firmar parcerias com redes de ensino estaduais após a implementação total da reforma do ensino médio. O Senai, em conjunto com Serviço Social da Indústria (Sesi), planeja oferecer aulas do ensino médio e do itinerário técnico internamente, para estudantes que já estiverem inscritos em cursos dos serviços. Para ele, esse processo deve durar de dois a três anos, após a aprovação da BNCC, até que os serviços possam atender as redes de ensino.

“Estamos acompanhando a reforma de perto e nossa ideia é desenvolver desenvolver experiências, em caráter piloto (teste), para funcionar dentro do Sesi e do Senai, à luz dessas mudanças”, diz Leal. “Lá na frente, com isso validado por esse aprendizado, é possível que apareçam cenários de parceria com redes de ensino estaduais.”

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