Candidatos de pós-graduação aproveitam Toefl gratuito

Benefício do programa Inglês sem Fronteiras vem sendo utilizado por alunos que querem fazer mestrado e doutorado no País

Bárbara Ferreira Santos, Estadão.edu

24 Junho 2014 | 16h48

 A aplicação gratuita do teste Toefl - que mede a proficiência em inglês e pode custar mais de R$ 500 - pelo programa Inglês sem Fronteiras, do governo federal, já está sendo aproveitada fora do Ciência Sem Fronteiras (CsF). Alunos planejam usar a nota do teste para entrar nas pós-graduações no Brasil, já que para ingressar no mestrado ou doutorado no País é preciso comprovar domínio de ao menos um outro idioma além do inglês. Desde 2012, mais de 180 mil testes já foram aplicados. 

No quinto ano de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Marianne Cristine de Souza, de 21 anos, não pretende mais participar do CsF porque tem como prioridade se formar no fim deste ano. Ela, no entanto, quer usar as notas que conseguiu no Toefl pelo Inglês sem Fronteiras em uma pós-graduação.

A meta é tentar uma universidade de fora, mas ela não descarta uma pós no País - nas duas possibilidades, usaria a mesma nota do exame, que tem validade de dois anos. “Fiz o Toefl pela primeira vez há anos, quando terminei o cursinho de inglês. Agora que fiz novamente, já dá para usar essa nota”, afirma.

Já Flávia Carolina Ventura de Souza, de 32 anos, aluna de Medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), desistiu de se inscrever no Ciência sem Fronteiras. Mesmo assim, ela quis fazer as aulas online, pensando no longo prazo. “O meu objetivo agora é treinar o inglês. Não tenho condições de pagar uma aula, então é a minha única opção.”

Flávia desistiu de participar do Ciência sem Fronteiras depois de ter se inscrito para um edital para Portugal, em 2013, na mesma época em que o governo suspendeu todas as bolsas para aquele país. A justificativa do MEC era estimular a aprendizagem de um novo idioma. 

Foi principalmente a defasagem em relação a uma segunda língua que levou um em cada cinco estudantes a escolher Portugal como destino do CsF de 2011, quando o programa foi criado, até 2012. 

Como outros candidatos, Flávia chegou a ter a inscrição transferida para um edital para a Inglaterra, um dos destinos escolhidos pelo MEC, na época, para estudantes de Biológicas. Mas, diferentemente dos demais países (EUA, Austrália e Canadá), o Reino Unido exigia antes o teste de proficiência - os outros admitiram os alunos para cursos de até seis meses de inglês na instituição antes de fazer o teste. “Tinha feito dois módulos do curso online, mas não era o suficiente para ir.”

Carência. O governo criou o Inglês sem Fronteiras em dezembro de 2012. Primeiro, foram elaboradas as aulas online. Depois, alunos de 43 federeis puderam estudar presencialmente em suas universidades, nos Núcleos de Línguas. 

Já os testes do Toefl foram aplicados primeiro para quem participava dos editais de países de língua inglesa. Agora, estão disponíveis para alunos de todas as federais. A expectativa é de que atinjam estaduais e institutos federais já no segundo semestre. Segundo o MEC, o objetivo do programa é fazer uma avaliação que subsidie novas ações de internacionalização das instituições de ensino superior do País.

Estaduais. No Estado de São Paulo, a única federal que tem um Núcleo de Línguas do Inglês sem Fronteiras é a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Já a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) informaram que devem aderir ao programa em breve.

Apesar de não integrarem essa rede do MEC, as três universidades estaduais e a Universidade Federal do ABC (UFABC) têm sistemas próprios de ensino de um segundo idioma. Na Universidade de São Paulo (USP), além de aulas online de inglês, os estudantes podem agora se inscrever para as 350 vagas de um programa de preparação para o Ielts - exigido principalmente por universidades britânicas. No final do programa, a aplicação do exame será gratuita.

O presidente da Agência USP Internacional, Raul Machado, informou, em nota, que o projeto será estendido para todos os alunos da graduação da instituição a partir de 2015. Já na UFABC, desde 2011, mais de 110 estudantes concluíram um curso de inglês presencial. Um grupo de estudos planeja ainda uma escola de línguas estrangeiras na UFABC.

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